A Bitcoin está a demonstrar uma resiliência que surpreende os mercados. Após acumular uma queda de 30% no início do ano, a criptomoeda disparou mais de 6% na quarta-feira, consolidando-se em torno dos 72.700 dólares.

Atualmente, a Bitcoin posiciona-se como um dos ativos com melhor performance global, acompanhando a subida do petróleo e de ações ligadas à energia e defesa.

Segundo Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe, este desempenho surge num contexto da elevada tensão após a intensificação da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão desencadeada no passado fim de semana.

“Atualmente, é um dos ativos com melhor desempenho, a par do petróleo e das ações dos setores energético e da defesa. Um dos fatores que despertou o interesse dos investidores foi o aumento de fluxos provenientes do Irão”, refere o analista.

De acordo com Henrique Valente, este fenómeno deve-se a uma combinação de fatores geopolíticos e institucionais. Desde logo porque está a ser um refúgio contra a inflação e sanções. Os iranianos procuram refúgio face ao colapso da moeda local, enquanto entidades governamentais recorrem a ativos digitais para contornar sanções durante o conflito.

“Ainda assim, o volume de negociação originado no país continua a ser relativamente reduzido e o principal motor da subida recente da Bitcoin tem sido os fortes influxos nos ETFs americanos, que registaram entradas de aproximadamente 1,5 mil milhões de dólares nas últimas cinco sessões”, escreve o analista.

Para Henrique Valente, a “robustez inesperada” da Bitcoin reforça a sua narrativa enquanto “ouro digital” em tempos de crise, embora o volume de negociação proveniente das zonas de conflito continue a ser uma fração pequena comparado com o apetite de Wall Street.