Alguns membros do Banco Central Europeu (BCE) consideraram na reunião de início de fevereiro que “as tensões geopolíticas no Médio Oriente poderiam levar a um aumento maior dos preços da energia”.

Assim o refletem as atas dessa reunião, que o BCE publicou hoje e na qual todos os membros do Conselho de Governo aprovaram por unanimidade manter as taxas de juro em 2% porque consideraram que a inflação deveria estabilizar-se em 2% a médio prazo.

No início de fevereiro, o BCE considerava que a incerteza comercial “poderia justificar deixar inalteradas as taxas de juros” e esperar para ver como evoluíam alguns riscos, segundo as atas.

O nível atual das taxas de juro proporcionava flexibilidade suficiente para agir em resposta a impactos” já que existia o risco de que a inflação subisse, mas também de que baixasse, considerou o BCE na reunião de fevereiro.

“As perspetivas de inflação são mais incertas do que o habitual, perante a contínua possibilidade de grandes impactos sobre a inflação e o crescimento em ambos os sentidos”, para cima e para baixo, acrescentam as atas da reunião de fevereiro.

O BCE considerava que a incerteza e a imprevisibilidade iam persistir.

Por isso era importante que o BCE estivesse aberto a todas as opções, tanto a baixar como a subir as taxas de juros.

O ataque dos EUA ao Irão no último sábado encareceu muito o preço do petróleo e do gás, o que pode fazer a inflação subir e o BCE poderia reconsiderar sua política monetária.

Os mercados já não preveem que o BCE vá cortar novamente as taxas de juro e que outros bancos centrais, como a Reserva Federal dos EUA (Fed) ou o Banco da Inglaterra, também o façam.

A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 18 e 19 de março em Frankfurt, Alemanha.