A indústria da cortiça portuguesa dá mais um passo na transição energética com a instalação de uma nova caldeira de biomassa de elevada eficiência desenvolvida pela Energest – Engenharia e Sistemas de Energia para a DIAM Portugal, um dos líderes tecnológicos mundiais no fabrico de rolhas técnicas de cortiça.

Em comunicado a Energest diz que a nova caldeira tem uma capacidade para produzir 5 toneladas de vapor por hora. “O equipamento foi concebido especificamente para queimar pó de cortiça, mistura de terras e estilha de madeira, subprodutos com elevado potencial energético, mas que colocam desafios exigentes ao nível da combustão industrial. A solução permite transformar resíduos do próprio processo produtivo em fonte de energia, contribuindo para uma maior eficiência energética e redução da pegada carbónica”, segundo a nota.

De acordo com José Guedes, o projeto representa um avanço relevante na valorização energética de recursos nacionais. “Este é um projeto que posiciona a cortiça no centro da inovação energética, valorizando um recurso endógeno com forte impacto económico e ambiental. A caldeira foi desenvolvida com sistemas de alimentação independentes e grelha móvel, de forma a maximizar a eficiência operacional”, afirma.

O sistema foi projetado para garantir uma disponibilidade superior a 8.400 horas de funcionamento por ano, assegurando operação contínua e fiável e reduzindo significativamente as necessidades de manutenção — um dos desafios mais frequentes nas unidades industriais do setor corticeiro.

A Energest – Engenharia e Sistemas de Energia centra as suas atividades na conceção, projeto, construção e montagem de equipamentos e instalações térmicas industriais, para as mais diversas áreas de negócios.

A empresa lembra que o setor da cortiça tem registado crescimento significativo nos últimos anos, sendo a sustentabilidade energética um dos principais desafios para as unidades industriais. Um dos problemas recorrentes prende-se com o elevado tempo de indisponibilidade das caldeiras devido à frequência de intervenções de manutenção.

Para responder a essa realidade, “a solução técnica desenvolvida pela Energest aposta em robustez, flexibilidade e elevada eficiência térmica, estando preparada para lidar com a variabilidade dos combustíveis utilizados — condição essencial para garantir o fornecimento contínuo de vapor, mesmo quando há alterações nas tipologias de biomassa disponíveis”.

O sistema inclui ainda um economizador que permite recuperar calor dos gases de combustão. Este permutador gases/água aumenta a temperatura da água de alimentação da caldeira, melhorando o rendimento global do sistema e reduzindo o consumo de biomassa.

Projeto estratégico para a indústria

O investimento da DIAM tem despertado interesse de várias empresas do setor, que enfrentam dificuldades semelhantes associadas à combustão de resíduos heterogéneos e com elevado teor de cinzas. A solução desenvolvida pela Energest poderá, assim, tornar-se uma nova referência tecnológica para a indústria corticeira.

A conclusão da instalação está prevista para o segundo trimestre de 2026, sendo que o comissionamento deverá ocorrer no final do primeiro trimestre.

Para António Ribeiro, o projeto poderá ter impacto alargado no setor. “Acreditamos que esta solução será replicada noutras unidades industriais que enfrentem desafios semelhantes de valorização de resíduos”, refere.

Com esta iniciativa, a DIAM Portugal reforça a aposta num modelo produtivo mais sustentável, aproveitando resíduos de cortiça como fonte de energia e demonstrando como a inovação tecnológica pode contribuir para posicionar a indústria corticeira portuguesa na linha da frente da transição energética.