As Forças de Defesa de Israel (FDI) anunciaram hoje que efetuaram ataques aéreos no norte do Irão pela primeira vez desde início do atual conflito, enquanto media locais noticiaram bombardeamentos numa cidade portuária no Mar Cáspio.

“A Força Aérea israelita, agindo com base em informações da inteligência militar e naval, começou a atacar alvos no norte do Irão pela primeira vez” desde o início da guerra desencadeada a 28 de fevereiro pelo ataque conjunto EUA-Israel à República Islâmica, afirmaram as FDI em comunicado.

As agências de notícias iranianas ISNA e Tasnim relataram ataques a Bandar Azali, no Mar Cáspio, esta noite.

Segundo os meios de comunicação israelitas, o ataque teve como alvo navios de guerra iranianos, entre outros alvos.

Israel e Estados Unidos atacaram hoje uma importante instalação de gás iraniana no Golfo, a maior do mundo, provocando um incêndio, anunciou a televisão estatal, numa altura em que a guerra entra na terceira semana.

“Há instantes, algumas partes das instalações de gás” da refinaria estratégica South Pars, situada na cidade portuária de Kangan, “foram atingidas por projéteis do inimigo americano-sionista”, declarou a televisão, citando o vice-governador da província meridional de Bushehr.

Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) ameaçou esta noite os Estados Unidos e Israel com a destruição das suas infraestruturas energéticas.

“Advertimos mais uma vez que cometeram um grave erro ao atacar a infraestrutura energética da República Islâmica, e que a resposta a este ataque já está em curso”, anunciou a IRGC, depois de vários locais de extração de gás e petróleo terem sido alvejados no Golfo Pérsico durante a noite.

“Se isto voltar a acontecer, os ataques à vossa infraestrutura energética e à dos vossos aliados não cessarão até que esta seja completamente destruída, e a nossa resposta será muito mais severa do que os ataques da noite passada”, declarou a IRGC num comunicado divulgado pelas agências de notícias iranianas IRIB e Fars.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação, o Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

Incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre, na Turquia e no Azerbaijão.

Desde o início do conflito, foram contabilizados no Irão pelo menos 1.348 mortos, entre os quais o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, entretanto substituído pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei, e mais de 10.000 civis feridos.

A organização não-governamental (ONG) norte-americana Human Rights Activists News Agency (HRANA) informou, a 11 de março, que morreram mais de 1.825 pessoas, incluindo quase 1.300 civis, entre os quais pelo menos 200 crianças.