Portugal está a ficar “perto dos critérios” para “declarar crise energética”, disse hoje a ministra do Ambiente e da Energia. Se declarada, o Governo toma uma série de medidas para tentar aliviar a fatura energética das famílias.

“Estamos a ficar perto dos critérios em que podemos declarar crise energética. E aí, o primeiro-ministro, o ministro da Economia, eu e todo o Conselho de Ministros vão com certeza ter um conjunto de medidas que estão a ser todas analisadas e quantificadas, de como podemos proteger as famílias, as pessoas, consumidores e também as empresas”, afirmou esta sexta-feira Maria da Graça Carvalho.

A governante rejeitou avançar com uma data, apontando que a decisão será tomada mediante a “evolução dos preços”.

“Estamos a contabilizar os impactos, as medidas, quanto é que custam e para depois tomar uma decisão, olhando para o que os outros países estão a fazer, sendo certo que, no nosso caso, o preço da eletricidade está relativamente protegido porque temos 80% de renováveis”, acrescentou em declarações à imprensa, sem entrar em detalhes sobre que medidas podem vir a ser implementadas, apesar de ter sido questionada sobre o corte do IVA para os 10% em Espanha nos combustíveis, eletricidade e gás.

A ministra apontou que o gasóleo é o produto energético mais penalizado, o que se deve ao facto de a refinação ser feita essencialmente naquela zona do Médio Oriente.

No caso do gás, disse que o Governo já aumentou o apoio aos consumidores vulneráveis na botija de gás, mas também o gás para a indústria. “Muitas indústrias precisam de gás no seu processo, vidro, cerâmica, também os fertilizantes. Há uma série de outros produtos que vão necessitar de gás e aí é natural que se tenha de atuar”.

“Mas vamos esperar a declaração de crise energética e isso envolve muito o ministro da Economia. Com certeza, iremos ter medidas se isto continuar nesta evolução. Iremos ter medidas e temos a possibilidade de o fazer com esta diretiva”, que foi aprovada na quinta-feira em Conselho de Ministros.

Questionada se o Governo estava a preparar a recomendação de medidas de poupança energética, como fez hoje a Agência Internacional de Energia, disse que ainda não estavam em “cima da mesa”, apesar de já estarem listadas.

“Estavamos com alguma esperança de que isto [a guerra] não evoluísse neste sentido que está a evoluir. Algumas dessas medidas têm um impacto na economia… estávamos a aguardar”, disse.

“Mas temos um conjunto de medidas, desde uma menor utilização dos carros ao domingo, o teletrabalho, o aquecimento e o arrefecimento nos edifícios públicos. Há um programa de poupança energética que temos preparado, caso venha a ser necessário”, afirmou.