O Partido Socialista acusou o ministro da Justiça, Abreu Amorim, de “queimar as pontes todas” na busca de uma solução para a renovação do Tribunal Constitucional. A acusação surge em resposta a declarações do ministro, que acusou o PS de se ter transformado numa “força de conservadorismo granítico”, que pretende “manter a sua omnipresença nos órgãos do Estado”.
O impasse na renovação dos juízes do Tribunal Constitucional tem sido um dos pontos de maior tensão política. O PS, maior partido da oposição, é essencial para alcançar a maioria de dois terços necessária para a eleição dos novos juízes. A troca de acusações públicas entre o partido e o ministro da Justiça sugere um agravamento do conflito e dificulta um acordo.
Fontes socialistas consideram que as declarações de Abreu Amorim são contraproducentes e prejudicam o diálogo necessário para destravar o processo. O partido defende que a solução deve passar por um consenso alargado e não por declarações inflamadas que, na sua opinião, apenas servem para “queimar pontes”.
Do lado do Governo, a posição é de que o PS está a bloquear o processo por razões políticas, impedindo a normal renovação de um órgão crucial para o Estado de Direito. A falta de acordo mantém a incerteza sobre a composição futura do Tribunal Constitucional.