O grupo espanhol Puig e a multinacional norte-americana The Estée Lauder Companies estão em conversações avançadas para uma possível fusão que daria origem a um dos maiores conglomerados do setor da beleza e do luxo a nível mundial, segundo avança o Financial Times e confirmou a própria Puig à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV).

A operação, ainda sem acordo definitivo, combinaria os poderosos portefólios de marcas de ambas as empresas. A Puig contribuiria com marcas icónicas como Carolina Herrera, Jean Paul Gaultier, Rabanne, Dries Van Noten e Charlotte Tilbury (da qual já é acionista maioritária), enquanto a Estée Lauder acrescentaria as suas marcas emblemáticas como Clinique, juntamente com outras do grupo, tais como MAC, La Mer, Bobbi Brown e Jo Malone, entre muitas.

De acordo com as informações divulgadas, a fusão avaliaria o novo grupo em mais de 40 mil milhões de dólares (cerca de 34.500 milhões de euros), o que o colocaria como um player dominante no competitivo mercado global de cosméticos, fragrâncias e produtos de cuidados pessoais de gama alta.

A Puig, que entrou em bolsa em maio de 2024 com uma valorização inicial de 13.900 milhões de euros (a 24,50 euros por ação), viu a sua capitalização bolsista descer até aos 8.846 milhões de euros nas últimas sessões, num contexto de dificuldades para o setor do luxo e da beleza após a pandemia e a inflação. Por seu lado, a Estée Lauder cotava antes da divulgação da notícia em torno dos 32 mil milhões de dólares de market cap, embora as suas ações tenham caído acentuadamente 7,72% após se conhecerem as conversações, fechando nos 79,29 dólares por título (capitalização aproximada de 29,5 mil milhões de dólares).

Num comunicado enviado à CNMV, a Puig confirmou as negociações, mas adotou um tom cauteloso. “A Puig confirma que está a manter conversações sobre uma possível combinação de negócios com a The Estée Lauder Companies Inc., que implicaria a potencial fusão dos negócios de ambas as empresas. Não foi tomada qualquer decisão definitiva nem alcançado qualquer acordo. Enquanto não existir um acordo, não pode ser garantida a realização de uma operação nem os seus termos”.

A família Puig, fundadora do grupo há mais de 110 anos e que mantém o controlo maioritário dos direitos de voto após a entrada em bolsa, estaria a negociar a partir de uma posição de força no segmento de fragrâncias e perfumaria de luxo, área em que a Puig é especialmente competitiva.

Se a fusão se concretizar, tratar-se-ia de uma das operações mais relevantes no setor da beleza dos últimos anos e criaria um concorrente de grande dimensão face a gigantes como L’Oréal, LVMH (com a Sephora e as suas marcas próprias) e Coty (multinacional norte-americana de beleza).

Por enquanto, ambas as empresas mantêm as negociações em curso sem prazos definidos nem garantias de sucesso.