Quando, em setembro de 1980, a Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa abriu as portas ao primeiro Master in Business Administration (MBA) lecionado em Portugal, fê-lo com o respaldo do crème de la crème – a escola de negócios da Universidade da Pensilvânia, Wharton School.
A parceria estratégica, assinada pelo visionário professor Alfredo de Sousa, impulsionou a área de gestão da recém-criada Nova e imprimiu a marca da internacionalização logo no berço. Uma onda que muitos outros viriam a ‘surfar’ para bem da formação avançada e do país.
Em 2007, novo golpe de asa. Uma parceria, envolvendo as putativas rivais Nova School of Business and Economics (Nova SBE) e Católica Lisbon School of Business & Economics é realizada, dando vida ao que conhecemos por The Lisbon MBA Católica|Nova. A oferta do consórcio ascende à maior montra mundial, os rankings do Financial Times em 2013 e desde então aí se mantém, ancorado, em boa medida, numa outra parceria, também com uma norte-americana.
Maria José Amich, diretora executiva do The Lisbon MBA Católica|Nova, classifica a parceria com a MIT Sloan School of Management, que leciona o MBA n.º 1 do mundo (Financial Times Global MBA ranking 2026) como fundamental para o consórcio.
“A imersão não é uma visita de estudo”, afirma. A temporada em Boston, salienta, é “uma experiência curricular integrada, com cadeiras ministradas por professores do MIT Sloan em áreas em que a escola é pioneira a nível mundial, com disciplinas ligadas à inovação e disrupção tecnológica nos negócios, o empreendedorismo e a sustentabilidade”.
Os alunos do Executive MBA do The Lisbon (um dos dois programas do consórcio) podem realizar alguns dos cursos opcionais em parceiros de referência como os MBA de St. Gallen na Suíça, ESADE em Espanha, Fundação Dom Cabral no Brasil, assim como participar numa study mission, em Singapura, em parceria com o St. Gallen Institute of Asia, focada no desenvolvimento do conhecimento do mercado asiático e da gestão das empresas na Ásia. A partir do próximo ano, terão mais uma possibilidade: um módulo de liderança, fruto de uma parceria com a Vlerick Business School, em Bruxelas.
No The Lisbon MBA Católica|Nova, a internacionalização manifesta-se também na diversidade das turmas. Maria José Amich revela que em 2026, cerca de 80% dos alunos do programa International MBA (full-time) vêm de fora, originários de 17 países. No programa Executive MBA (part-time), o número ronda 40%. Também, mais de 40% do corpo docente que leciona em Portugal é de origem internacional e com PhD (doutoramento) feitos em Universidades de topo no estrangeiro.
A semana essencial
Uma semana no campus de um parceiro de referência é indispensável em qualquer MBA que se preze. A UPT – Universidade Portucalense, por exemplo, destaca nos atributos do seu MBA Executivo uma semana internacional na ICN Creative Business School, que goza da tripla acreditação da AACSB, AMBA e EQUIS. Em Paris, durante cinco dias, os participantes têm a oportunidade de contactar com profissionais com experiência internacional e desenvolver uma rede de negócios e oportunidades de colaborações futuras. No final, recebem o certificado de frequência ICN – Business School.
Fundada em 1980, a AESE foi impulsionada pela Associação de Estudos Superiores, criada com o apoio do IESE Business School, da Universidad de Navarra, que atua com foco internacional em vários campi.
“A dimensão internacional não é um complemento; é parte estrutural”, afirma Agostinho Abrunhosa, diretor do Executive MBA, ao JE. Ao longo do programa são trabalhados mais de duas centenas de casos de empresas de muitas geografias e setores, o que expõe os participantes a realidades muito diferentes da sua. Acresce a isso as semanas internacionais, que incluem experiências académicas em escolas parceiras e contacto direto com contextos empresariais globais, adianta. Lisboa, Barcelona e Tóquio estão no mapa.
Estas experiências obrigam os participantes “a sair da sua zona de conforto” e “a olhar para os desafios de gestão com uma lente mais ampla”, salienta Agostinho Abrunhosa. Justificando: “Num mundo em que as empresas competem globalmente, formar líderes com essa abertura é absolutamente essencial”.
A Católica Porto Business School acrescentou recentemente mais um peso-pesado ao seu vasto leque de parceiros: a WU Viena, reforçando a vertente das semanas internacionais do seu MBA Executivo, como as que se realizam na ESADE, em Barcelona, ou na LUISS, em Roma, além de outras experiências lá fora em contexto empresarial.
Estas iniciativas dentro e fora de portas deram origem à criação das semanas executivas imersivas, com sete diferentes programas em áreas inovadoras e de tendência nos negócios. São no Porto e para líderes globais.
À boleia de outra parceria, viajamos até à Califórnia com o mais antigo programa vivo do país e o único da Universidade de Lisboa: o ISEG MBA.
Joana Santos Silva, CEO do ISEG Executive Education e diretora executiva do programa, adianta: “Temos uma componente de imersão em Silicon Valley, em parceria com a University of San Francisco, onde os participantes são expostos ao epicentro global da inovação e colocados em contextos reais de interação com venture capital e ecossistemas tecnológicos”.
Além disso, a diversidade da própria turma e a exposição a casos globais garantem, segundo a CEO, uma “preparação efetiva” para contextos multiculturais e operações internacionais. “Formamos líderes que não apenas compreendem mercados globais — operam neles com confiança”. A próxima edição do ISEG MBA arranca em janeiro de 2027. É em inglês, dura 18 meses, as aulas são em Lisboa e requer cinco anos de experiência.
O Iscte Executive Education, encontra-se num patamar nunca antes atingido. José Crespo de Carvalho, o presidente, não vê outro caminho. “A internacionalização traz exigência, comparação e ambição. Obriga os participantes a confrontarem-se com outras culturas de gestão, outros mercados, outras formas de liderar e decidir. Isso enriquece muito a experiência em sala de aula e eleva a qualidade da discussão”, explica ao JE.
Ana Côrte-Real respira MBA. Faculty & Corporate Relations Director e MBA Director da Porto Business School, dirigiu e ensinou em programas de MBA na Católica Porto Business School, onde também fez um.
“A internacionalização é hoje um eixo estruturante da proposta de valor dos nossos MBA — não apenas como exposição geográfica, mas como verdadeira diversidade de perspetivas, contextos e desafios”. Nos programas da Escola, detalha, essa dimensão traduz-se em turmas de elevada diversidade de nacionalidades e backgrounds, experiências internacionais (immersion weeks, exchanges, double degrees) e ligação a uma rede global de parceiros académicos e corporativos.
“Os alunos desenvolvem uma capacidade crítica para operar em ambientes multiculturais, compreender diferentes mercados e tomar decisões em contextos globais complexos”, afirma a responsável da PBS. Com efeito, nunca um tal perfil foi tão necessário como hoje nas empresas e no país.