Dois navios da transportadora chinesa COSCO Shipping começaram hoje a atravessar o estreito de Ormuz, dois dias após a empresa ter retomado as reservas de contentores com destino a vários países da região, informou a imprensa local.

Segundo o portal privado chinês Caixin, que cita fontes anónimas, os navios Indian Ocean e Arctic Ocean navegaram para fora do estreito, após terem ficado “retidos” no interior do Golfo Pérsico, exibindo o identificador “China Owner” e transportando maioritariamente contentores vazios.

As duas embarcações tinham previsto partir para a Malásia em meados de março, mas os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, bem como as represálias de Teerão, acabaram por resultar num bloqueio de facto do estreito de Ormuz, uma via marítima estratégica por onde transita cerca de 20% do petróleo e do gás natural consumidos a nível mundial.

A informação indica, contudo, que os navios não seguirão a rota habitual, atravessando o estreito, mas sim um “corredor seguro” disponibilizado pelas autoridades iranianas, que implica um desvio para águas territoriais do país, entre as ilhas de Larak e Qeshm, na zona norte de Ormuz.

Uma das fontes citadas pela Caixin afirma que a COSCO deu prioridade ao regresso de cargueiros vazios, uma vez que, em caso de ataque durante a travessia, sofreriam menos danos do que os navios petroleiros da empresa presentes no Golfo Pérsico, que se encontram totalmente carregados.

Segundo o mesmo meio, ainda não é claro se será permitido a embarcações com carga atravessar aquelas águas, acrescentando que os navios aguardam os resultados das negociações entre Pequim e Teerão sobre essa possibilidade.

Um responsável de uma transportadora chinesa explicou que qualquer navio que pretenda utilizar o referido “corredor seguro” tem de contactar, através de intermediários, a Guarda Revolucionária iraniana e negociar o pagamento de uma taxa ou a prestação de serviços de transporte de bens.

De acordo com a consultora Lloyd’s List Intelligence, pelo menos dois navios já terão pago essa taxa, alegadamente na moeda chinesa, o yuan.

Na quarta-feira, a COSCO anunciou que voltaria a aceitar novas reservas de contentores com destino a vários países do Médio Oriente, incluindo Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein, Qatar, Kuwait e Iraque.

No dia seguinte, o cargueiro Aquarius atracou no porto de Sohar, em Omã, a cerca de 240 quilómetros a sul do estreito de Ormuz, transportando quase 200 mil toneladas de mercadorias destinadas aos países do Golfo.

Nas últimas semanas, os ataques e ameaças na região perturbaram a navegação comercial e fizeram aumentar os custos logísticos, contribuindo para a subida dos preços do petróleo nos mercados internacionais, com impacto também na China, onde os combustíveis registaram uma das maiores subidas recentes.