A proposta dos Estados Unidos para pôr fim a quase quatro semanas de combates é “unilateral e injusta”, segundo o regime de Teerão, mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar para que o Irão aceite sentar-se à mesa das negociações – a alternativa é enfrentar uma ofensiva contínua e demolidora. Segundo a agência Reuters, o plano de 15 pontos foi analisado detalhadamente na noite de quarta-feira por altos funcionários iranianos e pelo representante do líder supremo do Irão.

O Irão afirma que o plano não atende aos requisitos mínimos para colocar um fim nos combates, servindo apenas os interesses dos Estados Unidos e de Israel. Mas, aparentemente, o regime de Teerão não fechou completamente a porta da diplomacia, tendo feito notar, segundo a mesma fonte, que a diplomacia não terminou, apesar da ausência, por ora, de um plano realista para as negociações de paz.

Trump descreveu os iranianos como “grandes negociadores”, mas acrescentou que não tinha a certeza se estava “disposto a fazer um acordo com eles para pôr fim à guerra”. “Eles têm agora a possibilidade de abandonar permanentemente as suas ambições nucleares e trilhar um novo caminho”, disse Trump durante uma reunião de gabinete na Casa Branca. “Veremos se eles querem fazer isso. Se não quiserem, seremos o pior pesadelo deles. Enquanto isso, continuaremos a destruí-los.”

A posição da Casa Branca surge num momento em que o impacto económico e humanitário do conflito aumenta a todo o instante, com a escassez de combustíveis a espalhar-se globalmente.

O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, confirmou que foi enviada uma “lista de ação de 15 pontos” como base para negociações para o fim da guerra, acrescentando que havia sinais de que Teerão estava interessada em chegar a um acordo. O ministro das Relações Exteriores do Paquistão afirmou que “conversas indiretas” entre os Estados Unidos e o Irão estão a decorrer por via de mensagens transmitidas por Islamabad, com outros países, incluindo Turquia e Egipto.

Mas o ministro das Relações Exteriores do Irão afirmou que nada disso equivale a uma negociação. “Neste momento, a nossa política é continuar a resistência e defender o país, e não temos intenção de negociar”, disse Abbas Araqchi.

O Irão exige (para começo de conversa) garantias contra futuras ações militares, compensação por perdas e o controlo formal do Estreito de Ormuz, segundo fontes iranianas citadas pela Reuters. O país também informou a intermediários que o Líbano deve ser incluído em qualquer acordo de cessar-fogo.

Resta saber o que dirá Israel do plano de 15 pontos – mas, para já, não houve qualquer entusiasmo em Telavive quando foi conhecido.