O ouro está em rota para ter o seu pior desempenho mensal desde 2008 quando em outubro desceu 16,8% (mercado spot), assinala a CNBC. No último mês o metal já caiu 12,6%, transacionando atualmente nos 4.609 dólares, ficando bem abaixo do pico de 5.589 dólares, atingido no final de janeiro deste ano. Esta terça-feira a matéria-prima está a subir 2% o que atenua as perdas verificadas ao longo do último mês.
Fatores como uma política monetária mais restritiva pelos bancos centrais, receios com a subida da inflação, vendas de ouro, procura de liquidez pelos investidores, valorização do dólar, dinâmicas de mercado, conflito no Médio Oriente, e a subida das yields das obrigações têm contribuído para a queda do preço do metal.
O gestor de investimentos da Shackleton, Wayne Nutland, assinalou, citado pela CNBC, a mudança de comportamento que o ouro tem tido na forma como é negociado. Wayne Nutland assinala que antes da guerra na Ucrânia, que se iniciou em 2022, o metal “tendia a ter uma correlação inversa” com os rendimentos das obrigações e com o dólar norte-americano, “subindo quando estes indicadores caíam e descendo quando subiam”. Após a guerra na Ucrânia essas relações foram alteradas, em particular em 2025 e no início de 2026, “quando o ouro subiu muito, muito acima dos movimentos sugeridos por estas relações históricas”.
Wayne Nutland salientou que os rendimentos das obrigações e o dólar norte-americano “subiram”, e neste contexto o ouro demonstrou a sua “tradicional sensibilidade inversa a estes indicadores, caindo como consequência”, acrescentando ainda que as quedas do ouro “foram talvez também exacerbadas” pela força do preço do ouro no início de 2026 e possivelmente pelo “desejo dos investidores de liquidar posições lucrativas”.
Ouro deve manter volatilidade
Para o estrategista da T. Rowe Price, Matt Bance, citado pela Morningstar, o comportamento do ouro, nos próximos meses, deve ser influenciado por quatro fatores: as yields das obrigações, a escala e a duração do choque energético e geopolítico, a força do dólar norte-americano e os fluxos de ativos. Este considera que no curto prazo o ouro deve enfrentar uma “elevada volatilidade” tendo em conta que os quatro fatores que mencionou competem entre si.
“A longo prazo, os fatores estruturais — particularmente a procura sustentada dos bancos centrais e a crescente incerteza política — reforçam a tese de que o ouro deverá ser uma alocação estratégica até 2026, em vez de uma operação puramente tática”, defendeu o estrategista da T. Rowe Price.
O estrategista do Goldman Sachs, Christian Mueller-Glissmann, defendeu que a descida no preço do ouro pode não significar necessariamente uma alteração da tese de longo prazo. “Isto indica-me que é provavelmente uma oportunidade para os investidores de longo prazo”, referiu o estrategista, citado pelo Investing.
O analista Ole Hansen, citado pela The Street, considera que os aumento das yields nas obrigações e as alterações relativamente às taxas de juro são “obstáculos temporários ligados a choques inflacionistas e à incerteza” dos bancos centrais.
Os analistas do Morgan Stanley, numa nota transcrita pelo Investing, disse ainda que um dólar mais forte “tende a pressionar” os preços dos metais, “tornando-os mais caros para os compradores fora dos Estados Unidos, enquanto um dólar mais fraco “geralmente sustenta” os mercados de matérias-primas. Os analistas dizem ainda que preços mais elevados da energia “podem fortalecer” as finanças dos governos regionais e “potencialmente aumentar” as compras de ouro por parte do banco central.