Os deputados portugueses que integram a missão internacional de observação às eleições legislativas húngaras, que decorrem hoje, relataram à Lusa “uma participação imensa” e um ambiente tranquilo, com os eleitores “felizes”, apesar das longas filas.
“Uma participação imensa, uma coisa extraordinária. Todos os recordes estão a ser batidos, em termos de participação. Há mesas já acima dos 50%, ou algumas quase a atingir os 60%”, descreveu à Lusa o deputado António Rodrigues (PSD), que integra a missão da Assembleia Parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).
Segundo os dados oficiais, até às 13:00 locais (menos uma hora em Lisboa), mais de metade (54,1%) dos cerca de oito milhões de eleitores já tinham votado, enquanto nas legislativas de 2022, à mesma hora a participação era de 42,32%.
As mesas eleitorais abriram às 06:00 locais (menos uma hora em Lisboa) e, àquela hora, já havia filas para votar no local que o deputado visitou.
“Dá a impressão, de facto, que as pessoas estão com uma vontade de mudança e por isso é que estão a participar”, considerou António Rodrigues, que referiu ainda que as filas são uma constante em várias assembleias de voto em Budapeste, mas os eleitores “esperam pacientemente sem qualquer tipo de reclamação”.
Sobre os procedimentos, o observador português comentou que “o processo está bem organizado”.
O socialista Luís Graça, que é vice-presidente da AP-OSCE, descreveu à Lusa que “os rostos das pessoas são de felicidade por estarem a participar no ato eleitoral”.
“Eu creio que não há já dúvida nenhuma que [a Hungria] está a caminho de uma participação eleitoral recorde”, afirmou, “um grande sinal” que é “muito bom para a democracia” e “importante para a Hungria e para a Europa”, considerou.
Questionado sobre qual poderá ser o significado desta participação, o deputado socialista respondeu que “dizem os livros que as mudanças ocorrem quando os eleitores mais acorrem às urnas”.
“Temos que esperar agora pelo encerramento das urnas para perceber se aquilo que os livros dizem correspondem à realidade húngara também”, afirmou.
As legislativas de hoje, para eleger os 199 deputados do parlamento, são as mais disputadas dos últimos anos e estão a ser consideradas decisivas, quando o líder da oposição, Péter Magyar (Tisza, centro-direita), surge à frente nas sondagens e com a possibilidade de pôr um fim a 16 anos de governação do primeiro-ministro ultraconservador Viktor Orbán (Fidesz).
“Não é só a Europa que está a olhar para a Hungria, o mundo inteiro está também a olhar para a Hungria, que este domingo faz uma escolha importante para a democracia no continente europeu”, referiu Luís Graça.
Sobre o processo eleitoral, o deputado afirmou que “é bem administrado” e tem decorrido “de forma muito tranquila e muito calma, sem qualquer tipo de anomalia”.
“As pessoas têm votado mantendo o segredo do voto. Não vimos nenhuma atividade política nos arredores das assembleias de voto, portanto, não há qualquer exercício de poder sobre os eleitores”, considerou o socialista, que em 2022 participou também na missão de observação eleitoral.
Além da AP-OSCE, a missão internacional de observação eleitoral integra elementos do Escritório para as Instituições Democráticas e Direitos Humanos (ODIHR, na sigla em inglês) e da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, num total de quase 400 observadores de longo e de curto prazo.