Num ano, a plataforma de vendas em segunda mão da Ikea registou um volume de transações de 115 mil euros, pela venda de 1.788 artigos, mas a empresa sueca ganhou quase seis vezes mais do que isso com o negócio.

O Marketplace Ikea Segunda Mão está aberto apenas aos clientes Ikea Family e só podem nele ser transacionados artigos da marca sueca. Quem vende tem a opção de receber o valor total em dinheiro ou em cartão Ikea Family, beneficiando de um bónus de 15%. Os dados mostram que dois terços dos vendedores escolhem a segunda opção e, também, que gastam em compras mais do dobro do que têm em cartão, aquilo a que a Ikea chama vendas incrementais, que atingiram os 647 mil euros.

Além disso, a retalhista de mobiliário e decoração angariou mais cinco mil novos membros para o programa Ikea Family e fez com que oito mil voltassem a interagir.

Ao jornal Económico (JE), Ivo Lopes Bárcia, product quality manager da Ikea, confirma que foi um bom início para a plataforma, afirmando que ainda se trata “de algo ainda pequeno, tendo em conta todo o market possível que pode atingir”.

Ao longo deste ano a plataforma sofreu algumas alterações, desde o nome, inicialmente Preowned, à introdução de novas funcionalidades, como a opção de pagamentos por MB Way e Google Pay e um chat entre utilizadores.

“Ainda está no primeiro ano e como é um negócio novo, vamos tendo obviamente targets”, refere, Ivo Lopes Bárcia.

O facto de a plataforma só estar aberta a membros Ikea Family traz “uma segurança extra às pessoas”, refere e ajuda a incrementar as vendas da marca, uma vez que as pessoas que optam por receber o valor em cartão vão à loja e gastam mais.

Para a marca sueca estes resultados limpam “a ideia de que compro, uso e depois deito fora. Vem reforçar a qualidade da gama”, salienta. “Falamos muito do ser acessível, não só em termos de loja, mas também através dos preços, e com esta plataforma os clientes conseguem ter o produto a um preço ainda mais baixo do que na loja”, declara.

Reforço da aposta

A Ikea já estava presente no mercado em segunda mão, com a área circular e a segunda vida, mas a plataforma permitiu reforçar a sua presença, sem deixar com que as vertentes existentes perdessem volume.

A plataforma difere da área circular e da segunda vida, uma vez que não passa nada pela loja física, o que faz com que a marca consiga chegar a mais pessoas. “Em Bragança, dois clientes podem vender um artigo um ao outro sem precisar de vir a uma loja. Aqui a Ikea é um intermediário”, refere.

A área circular desempenha um papel importante para a marca sueca. “É interessante olharmos e vermos que ao fim de quase cinco anos, continuamos a ter muita atenção nesta parte”, salienta.

Tratando-se de um projeto recente o feedback recebido por parte dos clientes foi importante para a empresa melhorar certos aspetos. Para o próximo ano a empresa vai continuar a apostar nesta plataforma, sendo preciso “tempo para perceber algumas das falhas e das necessidades” que faltam no marketplace. Contudo, Ivo Lopes Bárcia revela que a empresa está já a trabalhar em novas funcionalidades para acrescentar à plataforma.

O marketplace está disponível em cinco mercados, Portugal, Espanha, Noruega, Polónia e Suécia, mas Portugal foi um “case study” e uma alavanca para os restantes mercados, tendo sido o primeiro mercado a receber esta plataforma em todo o território ao mesmo tempo.