“A missão é democratizar a tecnologia, dar meios às pessoas para serem mais produtivos e a IA é central”, afirma Andres Ortolá, diretor-geral da Microsoft Portugal, durante o evento “AI Summit 2026”, que decorreu esta quarta-feira, 22, no auditório da Abreu Advogados, organizado pelo Jornal Económico (JE). Para o diretor-geral da tecnológica, a “IA já está normalizada, o passo seguinte é escalar”.

Esta revolução tem tido impactos económicos, com as empresas tecnológicas a realizarem grandes investimentos nesta área, como é o caso da Amazon que recentemente anunciou um investimento “sem precedentes”, de 200 mil milhões de euros em data centers, IA , em satélites de baixa órbita e em serviços de cloud. “Faz sentido esse investimento tendo em conta os sinais que temos visto da evolução da tecnologia”, refere André Rodrigues, head of technology da AWS, que participou num painel sobre “Corrida Tecnológica” moderado por Ricardo Santos Ferreira, sub-diretor do JE.

“Podemos estar preparados para consumir inovação ou podemos estar preparados para transformar o nosso negócio principal. E aí há uma oportunidade com a adaptação de IA”, afirmou Nuno Saramago, diretor-geral da SAP, também presente no painel.

O diretor-geral deu o exemplo da SAP, onde os trabalhadores são incentivados “fortemente” a usarem a tecnologia. “O que gera uma dinâmica e um círculo virtuoso de adopção”, acrescentou.

O responsável da Microsoft, Andres Ortolá, defende que a literacia digital “tem de ser mais exigente” para fazer face aos novos desafios que esta revolução trouxe. Outra preocupação que a tecnologia norte-americana tem levantado está relacionada com a sustentabilidade, uma vez que os centros de dados e a utilização da IA está associada a um elevado gasto energético.

No caso da Amazon a empresa assumiu um compromisso de até 2030 ter fontes de energia renováveis e devolver ao ambiente mais água do que a consome. Anunciou também “uma parceria em Portugal com o maior parque eólico em Portugal e nos comprometemos a comprar 80% dessa energia. Acreditamos na sustentabilidade dos data centers”, disse André Rodrigues.

Já o diretor-geral da SAP pediu para que o Estado “facilite”. “É muito importante a rapidez no licenciamento, como disse hoje, aqui na conferência, o ministro Gonçalo Matias. Facilitem o crescimento das grandes empresas. São essas empresas que podem contribuir com mais emprego e melhores salários para o país. Portugal está numa posição ideal, geográfica, talento, estabilidade, investimento tecnológico e fuso horário”, indicou.