O Presidente iraniano defendeu hoje o compromisso com o diálogo, depois de o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, ter decidido prolongar o cessar-fogo, mas reiterou que o bloqueio aos portos iranianos é um dos principais obstáculos a “negociações genuínas”.
“A República Islâmica do Irão acolheu favoravelmente o diálogo e o acordo, e continua a fazê-lo. O incumprimento dos compromissos, o bloqueio e as ameaças são os principais obstáculos a negociações genuínas”, realçou, numa mensagem através das suas redes sociais.
Pezeshkian reagiu ao anúncio de Trump sobre a prorrogação do cessar-fogo destacando que “o mundo está a testemunhar” a “retórica hipócrita sem fim” e a contradição entre as palavras e ações do governante norte-americano.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, manifestou sentimentos semelhantes, declarando que “um cessar-fogo completo só faz sentido quando não é violado por um bloqueio naval, quando a economia global não é mantida refém e quando a beligerância sionista cessa em todas as frentes”.
“A abertura do Estreito de Ormuz não é possível com uma violação flagrante do cessar-fogo”, vincou nas redes sociais, antes de sublinhar que os Estados Unidos e Israel não alcançarão os seus objetivos “através da intimidação”.
“A única forma é aceitar os direitos do povo iraniano”, acrescentou.
Trump anunciou na terça-feira a prorrogação do cessar-fogo temporário alcançado em 08 de abril, na sequência de um pedido do Paquistão, que está a mediar o processo diplomático.
Embora insista que o bloqueio do Estreito de Ormuz se mantenha em vigor, o bloqueio e o recente ataque e apreensão de navios iranianos na área estão entre os motivos apontados por Teerão para não comparecer às negociações em Islamabade.
Teerão considera estas ações uma violação do cessar-fogo, que está a dificultar o processo de diálogo.
As autoridades iranianas anunciaram em 17 de abril que estavam a pôr fim às restrições de trânsito na zona, após a confirmação de um cessar-fogo temporário no Líbano no dia anterior, mas reimpuseram-nas após Trump ter mantido o bloqueio aos portos iranianos.