
O líder parlamentar do PSD defendeu hoje que cumprir Abril “é dizer não aos populismos de direita e de esquerda” e assumir o espaço político da moderação, em que situou a maioria que suporta o atual Governo.
Na sessão solene comemorativa do 52.º aniversário do 25 de Abril de 1974 no parlamento, Hugo Soares saudou a coragem dos que fizeram a Revolução e citou o histórico socialista Manuel Alegre – “há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não” – para reclamar atualmente essa coragem.
“Hoje somos nós a dizer não. Dizer não aos populismos. De direita e de esquerda. Dizer não ao radicalismo. Venha de onde vier”, afirmou.
O líder parlamentar do PSD apontou que, no atual parlamento escolhido pelo povo – “que é sempre quem mais ordena” – em que existe “uma esquerda cada vez mais preconceituosa e uma direita cada vez mais radicalizada, o humanismo transformador, o humanismo transformador está mesmo na moderação”
“Na nossa moderação. Porque moderação também é cumprir Abril, a nossa moderação é para cumprir abril”, defendeu.
Hugo Soares, que falou imediatamente a seguir a André Ventura, fez uma referência implícita aos cravos verdes com que os deputados do Chega se apresentaram na sessão.
“Abril não é dos cravos verdes nem dos cravos vermelhos, Abril é da bandeira de Portugal, é de Portugal”, disse.
Hugo Soares defendeu que hoje são necessárias “novas formas de coragem”: “Hoje como antes, a coragem não está em aderir ao pensamento dominante. Hoje como antes, não está em acompanhar modas ou tendências. Hoje, a coragem está em enfrentar os extremismos, a demagogia e os divisionismos”, considerou.
Para o dirigente do PSD, “o democrata pleno é o que festeja o 25 Abril, e celebra, sem dúvidas, o 25 de Novembro”, é o que “saúda e agradece aos capitães de Abril, mas não esquece a memória de Pires Veloso e Jaime Neves”.
“O democrata pleno combate o radicalismo, mas aceita o veredicto do povo. O povo não é o que nos convém. O povo é sempre soberano”, vincou, acrescentando que “o democrata inteiro é o moderado, que não polariza, não divide, antes junta, soma, agrega”, “aceita a diferença e não se arroga dono da liberdade”.
O líder parlamentar do PSD apelou ainda a que os políticos se possam “despir de preconceitos ideológicos que só tribalizam”.
“A ala esquerda tem medo da palavra pátria. A ala direita baniu a palavra humanismo. A ala esquerda receia a palavra autoridade. A ala direita parece esquecer a doutrina social da Igreja e o respeito ao próximo”, lamentou.
Hugo Soares recordou o falecido dirigente do PSD Nuno Morais Sarmento, que dizia que “Abril não é Revolução, mas evolução”, para defender que além de dizer não aos populismos, também são precisas respostas afirmativas para “vencer o imobilismo”.
“Para vencer o marasmo, romper a mansidão, também é preciso dizer sim. Sim, a baixar os impostos sobre os trabalhadores (em especial os jovens) e sobre as empresas. Sim, a aumentar salários e pensões e a aumentar o Complemento Social para Idosos e acabar com injustiças na sua atribuição”, afirmou.
O líder parlamentar defendeu também que a atual maioria reforçou “a autoridade dos professores na escola pública e a sua qualidade”, garantiu “o acesso a todos ao SNS”, sem “desperdiçar a capacidade instalada do setor social e do setor privado”.
“Dizer sim a receber com humanismo quem nos procura, regulando a emigração. Sim ao diálogo. São já mais de acordos 40 com representantes dos trabalhadores da administração pública, um acordo tripartido na concertação social e muito diálogo no parlamento”, sublinhou, considerando que “também é preciso coragem para dizer sim”.
Hugo Soares terminou a sua intervenção a citar letras de Jorge Palma, Paulo de Carvalho ou Zeca Afonso, mas também a “Pedra Filosofal”, de Manuel Freire, bem como o ator Ruy de Carvalho.
“Acima de tudo, a democracia e a liberdade são as coisas mais belas que um homem pode ter. Por isso é que não entendo ser possível…não ser democrata”, citou.