
O CDS-PP considerou hoje que os portugueses não podem “ficar amarrados às políticas de esquerda que atrasaram o país” e questionou “porque há tanto medo” de fazer reformas e de rever a Constituição.
Na intervenção na sessão solene comemorativa do 52.º aniversário do 25 de Abril de 1974, na Assembleia da República, o deputado centrista João Almeida afirmou que “Abril não tem donos”, é “do povo” e “dispensa tutelas, guardiães e donos”.
“Aqui todos temos a mesma legitimidade para o assinalar, porque aqui não há deputados mais representativos do que outros, não há maiorias mais aceitáveis do que outras, nem há governos mais legítimos do que outros”, defendeu.
O deputado questionou “porque há tanto medo” de fazer “as reformas necessárias e urgentes”, de rever a Constituição, de “discutir a história, os factos e as suas interpretações”, de “questionar as ‘verdades oficiais’”, de “pôr em causa os donos do regime” ou de celebrar o 25 de Novembro.
“Não podemos ficar amarrados às políticas de esquerda que atrasaram o país, não podemos ficar presos a estruturas que já não representam quem deveriam representar, não podemos ficar limitados por taticismos partidários. Precisamos de abrir as portas à liberdade, à liberdade verdadeira”, salientou.
Do púlpito, João Almeida pediu que não haja “medo de avançar” e defendeu que “está na altura de ser a vontade do povo a determinar para onde ir”: “Se queremos que a próxima geração se liberte deste marasmo, deste poucochinho, deste nivelar por baixo, temos de ter ambição e enfrentá-los [os medos]”.
“Para nos libertarmos do que nos tolhe e atrasa precisamos de reformas, de crescimento e de prosperidade. Já experimentámos o caminho do preâmbulo e não resultou”, sustentou, referindo que o povo espera dos políticos “coragem, decisão e ação”.
O deputado do CDS-PP disse saber a origem desses “medos e reservas”: “Vêm dos que se apoquentam por se celebrar Novembro aqui na Assembleia da República, com a dignidade que o CDS sempre defendeu”.
“Nesse dia, alguns não vêm, outros vêm com cara feia e ainda há os que vêm carpir mágoas. Estão no seu direito, mas estão errados. Muito errados”, criticou, argumentando que “o 25 de Abril fez-se para que não houvesse pensamento oficial, não houvesse caminho único e não houvesse donos do regime, mas foi precisamente aí é que começaram os problemas”, porque “o país sofreu a tentativa de imposição de uma cartilha oficial”.
“Portugal viveu um período crítico no qual a verdade oficial era comunista, o caminho obrigatório era para o socialismo e os donos do regime queriam impedir o livre exercício da vontade popular. Hoje, como então, a única vontade soberana é aquela que se expressa pelo voto em eleições democráticas, só assim somos livres e só assim vivemos em democracia”, salientou o democrata-cristão.
João Almeida recuou depois a 2003, ano em que se preparava o alargamento da União Europeia a países de leste, nações que “se tinham libertado da desgraça moral e material do comunismo” e “sonhavam com uma vida nova e viam em Portugal um exemplo”.
O deputado do CDS-PP – um dos partidos que suporta o Governo – referiu que há 23 anos “Portugal tinha um PIB per capita maior, um salário médio mais alto e uma produtividade superior aos de cada um desses oito países”.
E referiu que atualmente “o PIB per capita cresceu menos em Portugal do que em qualquer dos países do alargamento, o salário médio também cresceu menos e Portugal passou a ter uma produtividade inferior à de qualquer desses países”.
“Ou seja, em 20 anos passámos a ser os menos produtivos e a ganhar pior. Nada disto era inevitável e nada disto pode ser isolado do facto de, em mais de 80% desses vinte anos, termos sido governados pela esquerda ou intervencionados graças à sua bancarrota”, afirmou.
João Almeida foi aplaudido por PSD, IL e Chega, além do seu colega de bancada, Paulo Núncio.