A volatilidade contínua nos mercados financeiros deverá sustentar o desempenho das áreas de vendas e negociação (S&T) dos bancos europeus e norte-americanos ao longo de 2026, enquanto o futuro da banca de investimento permanece incerto, segundo uma análise recente da Morningstar DBRS.
De acordo com o relatório, o agravamento das tensões geopolíticas, em particular o conflito no Médio Oriente e o fracasso das negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irão em abril, elevaram a volatilidade dos mercados para máximos de vários meses. Este contexto deverá manter elevada a atividade dos clientes e a procura por serviços de negociação.
Como consequência, espera-se que as receitas dos mercados de capitais dos bancos europeus no primeiro trimestre de 2026 registem crescimento em relação ao ano anterior, impulsionadas por receitas recorde na área de S&T. Este desempenho deverá compensar a fraqueza na banca de investimento, que continua sob pressão.
Para o restante do ano, a tendência deverá manter-se, com receitas robustas em negociação, sustentadas pela volatilidade persistente, mas com perspetivas incertas para a banca de investimento. A incerteza em torno da inflação e da trajetória das taxas de juro continua a limitar a visibilidade sobre este segmento.
Segundo Maria Rivas, responsável sénior pelo setor financeiro europeu na Morningstar DBRS, “o ambiente geopolítico global permanece altamente incerto e deverá continuar a sustentar níveis elevados de volatilidade e atividade dos clientes”.
A responsável acrescenta que o aumento da inflação, impulsionado pelos preços da energia, poderá levar a novas subidas das taxas de juro, agravando a incerteza sobre as receitas da banca de investimento nos próximos trimestres.
UBS enfrenta pressão regulatória crescente na Suíça após aquisição do Credit Suisse
A DBRS fez também uma nota sobre a evolução do capital regulamentar da UBS na Suíça que na sua opinião não altera o rating do UBS.
O UBS vai ser obrigado a constituir almofadas de capital CET1 no valor de 17,1 mil milhões de euros, de forma a cumprir com as novas regras bancárias apresentadas recentemente pelo Governo da Suíça. A chamada regulação ‘too big to fail’ tem vindo a ser discutida nos últimos meses, e tem provocado reações negativas por parte do próprio banco.
A nova legislação teve como causa original a falência do Credit Suisse. O Governo suíço considera que as reservas de capital dos bancos suíços para as suas subsidiárias internacionais devem ser de 100%, em vez dos atuais 60%, argumentando que esta foi uma das razões pela qual o Credit Suisse não foi capaz de se reerguer.
A DBRS diz hoje que num contexto separado, a UBS continua a operar sob um ambiente regulatório em evolução na Suíça, após a aquisição do Credit Suisse, com as autoridades a procurarem reforçar a estabilidade financeira.
O relatório indica que o banco suíço enfrenta novas exigências regulatórias, embora alguns aspetos relacionados com o tratamento de capital já tenham sido clarificados. Ainda assim, o processo legislativo permanece em curso.
O impacto atual nos níveis de capital está alinhado com as expectativas anteriores, segundo a análise. No entanto, o tema continua a gerar debate político significativo, dado o peso sistémico da UBS na economia suíça.
Vitaline Yeterian, também responsável sénior na Morningstar DBRS, afirma que o banco deverá continuar a opor-se a aumentos significativos nos requisitos de capital. Ainda assim, considera que a forte capacidade de geração de resultados da UBS permitirá acomodar gradualmente eventuais exigências adicionais.
“De forma geral, consideramos que o impacto regulatório está amplamente em linha com as expectativas anteriores. Embora o requisito estimado de CET1 em base stand-alone decorrente das deduções de participações estrangeiras seja ligeiramente inferior às estimativas anteriores (cerca de 20 mil milhões de dólares em 2026, face a 24–26 mil milhões discutidos em meados de 2025), a direção permanece inalterada. A proposta de dedução total das participações estrangeiras exigiria atualmente cerca de 20 mil milhões de dólares adicionais de CET1 na UBS AG (em base stand-alone), a serem introduzidos gradualmente ao longo de sete anos. Assim, o impacto é mitigado por um longo período de implementação faseada e por um processo legislativo”, refere a agência de rating.