
O salário médio em Portugal permaneceu 38% abaixo da média europeia em 2024, aponta a Business Roundtable Portugal (BRP), fruto sobretudo de uma composição do mercado laboral que continua dominado por sectores com remunerações aquém da média. Comparando com um grupo de oito países concorrentes, o cenário não se altera, com os salários em Portugal a ficarem 6% a menos desta média.
O relatório ‘Comparar para Crescer – Indústria, Investimento, Salários, Escala e Energia’, promovido pela BRP, usa dados de 2024 para concluir que a remuneração média em Portugal subiu 7% face ao ano anterior, chegando a 24.800 euros anuais. Apesar da melhoria homóloga, este valor fica ainda 38% abaixo da média europeia, que se cifrou em 39.800 euros por ano.
“Embora os salários portugueses tenham crescido a um ritmo semelhante ao de vários concorrentes, o diferencial face às economias mais avançadas continua elevado”, defende o relatório, que vê na estrutural sectorial do emprego um dos principais motivos por detrás desta evolução.
Também comparando com um grupo restrito de economias concorrentes da nacional a performance portuguesa não supera a média. Pegando nos dados de Espanha, Eslovénia, Estónia, Grécia, Hungria, Itália, Polónia e República Checa, a remuneração média portuguesa não chega aos 26.300 euros registados naquele grupo de países, ficando 6% abaixo deste valor.
A BRP argumenta que “o crescimento do emprego tem sido particularmente forte em sectores como o alojamento e a restauração, que já representam 10% dos trabalhadores das empresas, mas que, apesar do forte crescimento salarial, continuam a ser o sector com a remuneração média mais baixa”.
Por outro lado, “a indústria registou uma estabilização do número de empregados, apesar de também registar um aumento expressivo de remunerações”, enquanto o segmento tecnológico, que pratica as melhores remunerações médias no país, “teve um crescimento de 42% no número de trabalhadores entre 2020 e 2024”.
“Este padrão evidencia um ponto central para a competitividade económica: a convergência salarial sustentável depende, sobretudo, da capacidade de aumentar o peso relativo dos sectores mais produtivos e intensivos em conhecimento”, lê-se no relatório. “Mais do que aumentos salariais isolados, é a transformação da estrutura produtiva que permitirá elevar de forma consistente o nível médio das remunerações”.
Na mesma linha, são as grandes empresas quem mais condições têm para pagar salários acima da média, fruto também de um valor acrescentado superior às restantes tipologias empresariais. Por esse motivo, a BRP reforça o apelo para que as empresas ganhem escala, como forma de melhor resistir aos choques externos, mas também de “acelerar a produtividade e riqueza de Portugal”.