A duração e a extensão do choque no Médio Oriente vai ter um impacto duradouro na economia global. Esta foi uma das conclusões do global outlook apresentado esta quarta-feira pelo BNP Paribas.

O banco reforçou que esse impacto duradouro vai acontecer “independentemente” do que se passar nos próximos dias ou semanas no Médio Oriente. A instituição bancária sublinhou que isso vai traduzir-se num menor crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), numa inflação mais elevada, e numa postura hawkish (uma política que favorece o aumento das taxas de juro) dos bancos centrais.

“A disrupção do Médio Oriente tem sido suficientemente extensiva para infligir dano na economia global, mas a resiliência deve prevenir uma recessão global”, disse o global head of markets 360 e economista chefe do BNP Paribas, Luigi Speranza.

Já o Head of Developed Markets Economics do BNP Paribas Markets 360, Paul Hollingsworth, salientou que independentemente do que venha a acontecer no Médio Oriente “temos preços mais elevados na energia, mais incerteza, e diminuição do apetite ao risco” por parte dos investidores.

Paul Hollingsworth salientou também que o conflito no Médio Oriente não se traduz num jogo de “soma nula” que é ilustrado com o setor energético. Nesta área se por um lado existem maiores ganhos por parte dos produtores por outro os consumidores estão a sentir os impactos mais negativos da subida dos preços. No geral isso acaba por ter um “impacto negativo” para a economia global, salientou.

E aqui os impactos nas várias regiões do global “não são uniformes”. A Europa e o sudeste asiático serão as regiões mais afetadas pelo conflito no Médio Oriente devido à exposição que possuem a esta área do globo e aos menores níveis de reservas energéticas, disse Paul Hollingsworth. No caso dos Estados Unidos devido a serem exportadores líquidos de energia “devem ficar mais isolados” dos efeitos da guerra.

Na inflação o BNP Paribas reviu as suas projeções, na maior parte dos casos, em excesso de 100 pontos. Na zona euro a projeção para 2027 aponta para uma inflação de 3,7%, e no Reino Unido o valor é de 4,5%. Relativamente à política monetária da Reserva Federal norte-americana (Fed) o BNP Paribas espera que a manutenção das taxas de juro seja prolongada contudo sublinha que caso exista alguma mudança o mais provável deve ser a subida das taxas de juro.

A diretora de estratégia de taxas DM e das economias europeias, Camille de Courcel sublinhou, durante a apresentação do outlook global do BNP Paribas, que os efeitos dos conflito no Médio Oriente devem levar à subida das yields [das obrigações], acrescentando que se existir uma subida nas taxas de juro por parte dos bancos centrais essas mesmas yields devem também subir. Contudo “não esperamos” que exista uma recessão.

Dólar deve desvalorizar

Para o mercado cambial, o responsável global pela estratégia macroeconómica do BNP Paribas Markets 360​, Sam Lynton-Brown, referiu que a projeção do banco é de desvalorização do dólar apesar das melhores perspetivas de crescimento económico dos Estados Unidos face a várias partes do mundo. A isto junta-se também uma perspetiva hawkish por parte da Fed.

A projeção do BNP Paribas coloca o par cambial euro/dólar nos 1,20 dólares. Tendo em conta que a Ásia tem sido a região do globo mais afetada pelo conflito do Médio Oriente, devido à quantidade de importação de energia que faz do Médio Oriente, Sam Lynton-Brown referiu que as perspetiva para as moedas asiáticas não são positivas.

No que diz respeito aos mercados emergentes a perspetiva do banco é “positiva”.

Já o responsável global pelo crédito e estratégia de derivativos do BNP Paribas, Viktor Hjort, referiu que a recuperação que os mercados estão a registar em abril “não teve um catalisador óbvio” pelo que em certa medida o mercado acabou por ser apanhado desprevenido na subida que as bolsas tiveram este mês.

Viktot Hjort considerou que os earnings (época de apresentação de resultados na bolsa) serão um catalisador dos mercados. Relativamente ao crédito privado (private credit), que tem estado sob pressão devido ao pedidos de resgate por parte do investidores em fundos do género, Viktor Hjort salientou que existe risco de deterioração mas que essa deterioração a acontecer deve ser “gradual”.

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