O problema foi identificado por Mario Draghi no relatório de 2024 que aponta o caminho para o crescimento europeu: a competitividade europeia enfrenta uma lacuna estrutural significativa fruto de uma desconexão entre o alto potencial académico/científico e a capacidade de introduzir inovação e escala nas empresas.
O que falta, segundo o antigo presidente do BCE? Falta investimento em investigação e desenvolvimento, sobretudo em comparação com aquilo que é feito nos EUA e China. Num contexto em que a colaboração entre as universidades e a indústria está a ganhar dimensão de forma crítica, é preciso perceber que todos têm a ganhar. E isso é visível na inovação, desenvolvimento de talento e uma competitividade a longo prazo.
Helmut Schönenberger, empreendedor e com uma carreira associada à Technical University de Munique foi um dos muitos líderes académicos convidados presentes na última edição do Innov.Club, um clube exclusivo promovido pela Vieira de Almeida e Beta-i que visa promover a inovação e a partilha de conhecimento entre as organizações em Portugal e no qual o JE é parceiro.
Esta sessão contou com líderes da indústria e empreendedores ligados ao mundo académico. “É muito importante estabelecer a ponte entre dois universos que estão muitas vezes distantes”, sublinha Helmut Schönenberger, até porque a concorrência à Europa a nível mundial está mais avançada: “Se percebermos aquilo que é a competitividade europeia e aquela que é a realidade norte-americana e chinesa, temos a noção que estamos muito atrás nesta corrida. A lacuna que existe é acima de tudo um problema cultural já que as universidades europeias estão muito focadas em teorizar e na investigação”.
Para este empreendedor, que esteve na última sessão do Innov.Club, a Nova SBE não é apenas “um modelo de sucesso” mas também “um farol para uma realidade em que as faculdades estão ligadas e muito próximas do universo empresarial. E não é apenas uma referência para Portugal mas também para a Europa”.
E justifica: “Aqui temos uma capacidade de ligação muito forte entre empresas, indústria, investigação e alunos, sentimos uma fortíssima componente empresarial no próprio campus que faz parte do sistema educacional e inovativo. É o modelo que precisamos, não só em Portugal mas também na Europa”.