O presidente do CDS-PP, Nuno Melo, reafirmou este domingo no encerramento do 32.º Congresso do partido, em Alcobaça, que a Aliança Democrática (AD) é um património partilhado e recusou que o CDS seja uma “muleta” do PSD. “A AD é um património comum e na AD, à nossa escala, nós contribuímos com trabalho, com ideias, com recursos, com pessoas e com votos”, declarou, sublinhando que o partido “não está aqui por favor nem é muleta”.
O líder centrista foi reeleito para o terceiro mandato com 89,7% dos votos, derrotando a moção de Nuno Correia da Silva, que obteve apenas oito votos. No discurso de consagração, Melo deixou claro que a coligação “é um caminho do PSD, mas este é também um caminho do CDS” e que a relação “só faz sentido porque é de respeito mútuo, entre dois grandes partidos independentemente da mensurabilidade eleitoral de cada momento”.
Dirigindo-se a críticas internas, incluindo a sugestão de fusão com o PSD feita pelo ex-dirigente Diogo Feio, Nuno Melo foi incisivo: “O CDS não é uma tendência, o CDS não se funde e seguramente o CDS não se dilui. O CDS, meus amigos, é um património fundamental da democracia em Portugal e com toda a legitimidade o CDS quer ser maior no futuro”.
O presidente do CDS realçou a relevância do partido nos resultados eleitorais: “Somos relevantes onde vamos a votos sozinhos, somos relevantes onde concorremos em AD. As vitórias da AD foram do PSD, mas foram também do CDS, e eu acredito até que a AD é uma forma que soma além dos partidos”. Lembrou que a AD, que já venceu eleições legislativas sem uma única derrota, é “um ativo sem preço” e “um património que se afirma pelos resultados”.
Manuel Monteiro, o único ex-líder presente no congresso, defendeu a autonomia do partido: “Enquanto está junto é leal, mas nunca deixa de ter as chaves do seu próprio carro no seu próprio bolso para, se necessário, se pôr à estrada e caminhar sozinho”. A ausência de “pesos pesados” foi criticada por Monteiro, que ironizou que provavelmente alguns “tão pesados, tão pesados, que temiam que o palco fosse abaixo”.
Nuno Melo abordou ainda o trabalho do Governo, afirmando que fez “mais em dois anos pela paz social do que o PS em oito” e que a pasta da Defesa foi trazida “para a primeira liga da política”. Anunciou também que o partido vai a jogo na revisão constitucional desencadeada pelo Chega, contra o qual dirigiu várias críticas, acusando-o de ser “o melhor aliado da esquerda” e classificando como “um disparate” a proposta de descida da idade da reforma.
No congresso, a Juventude Popular (JP) apresentou uma moção que defendia a preparação do partido para concorrer sozinho, embora não tenha sido levada a votos. O discurso de Nuno Melo reforçou a identidade e a ambição de crescimento do CDS: “Nasceu à prova de bala e continua a fazer tanto sentido em 2026 como fez em 1974, sendo o braço lúcido da direita em Portugal”.