O idealista acaba de divulgar o novo relatório trimestral do idealista/crédito habitação, que mostra um aumento do peso dos financiamentos acima de 80% e da garantia pública nos novos créditos habitação, intermediados pela plataforma.

As principais conclusões do relatório trimestral não surpreendem e confirmam o que tem sido revelado pelo supervisor bancário. A garantia pública está a subir endividamento das famílias na habitação, diz relatório dos intermediários de crédito do idealista.

Assim, mais de metade dos créditos habitação finalizados pelos intermediários de crédito do Idealista no arranque de 2026 (51%) tiveram garantia pública do Estado para jovens compradores. Há um ano, esta percentagem era de 13,5%; e 67,6% dos novos empréstimos tiveram financiamentos acima de 80%, sendo que 16,5% foram financiados entre 80% e 90%.

O peso das famílias a pedir financiamentos acima de 80% aumentou 10,9 pontos percentuais face ao mesmo período do ano passado.

De acordo com o Banco de Portugal, o empréstimo máximo num crédito para habitação própria e permanente não deve ser superior a 90% do preço de compra ou do valor de avaliação (aquele que for menor). Essa percentagem foi ultrapassada no caso dos empréstimos para jovens até aos 35 anos que beneficiam da garantia do Estado para 15% do valor da transação. A garantia do Estado no crédito habitação permite a jovens até 35 anos um financiamento de até 100% do valor da casa (com o limite de 450.000 euros).

Assim a grande maioria dos créditos habitação formalizados em Portugal no início de 2026 têm financiamentos acima de 80%, uma tendência impulsionada para garantia pública que dá empréstimos a 100% aos jovens, tal como revela o relatório do idealista/crédito habitação. Este alto nível de financiamento, conjugado com taxas de esforço elevadas, prazos longos e altos preços das casas estão a preocupar o Banco de Portugal que se prepara para avançar com medidas macroprudenciais para apertar as regras de acesso ao crédito hipotecário.

O supervisor prepara-se para reduzir a taxa de esforço máxima que os clientes têm de cumprir, e segundo o Expresso está a consultar bancos sobre redução da taxa de esforço no crédito à habitação para 45%.

O Banco de Portugal estaria a consultar os bancos sobre algumas alterações à medida macroprudencial para o crédito, que estabelece um conjunto de limites à concessão de novos empréstimos para compra de casa, de forma a evitar um endividamento excessivo. Uma das possibilidades equacionadas é a redução da taxa de esforço (que mede a relação entre os custos de todos os empréstimos do particular e o seu rendimento disponível) máxima, em cinco pontos percentuais. Ou seja, reduzindo-a de 50% para 45%, atualmente pois esta taxa (a DSTI Debt Service-to-Income) está em 50%.

O DSTI mede a percentagem do rendimento mensal líquido do agregado familiar comprometida com dívida (crédito habitação, consumo, automóvel, etc.). Se tem um rendimento de 2.000 euros e paga 600 de prestações, o DSTI é de 30%.

Segundo o Idealista, quase três em cada quatro créditos habitação foram contratados por famílias com rendimentos até 4.000 euros. O preço médio de compra foi de 254.365 euros e o montante médio do crédito solicitado rondou os 211 mil euros, traduzindo-se num financiamento médio de 86% (+5 pontos percentuais face há um ano).