
O Banco de Portugal está a preparar um projeto piloto do “multibanco social” que deverá envolver em 20 freguesias, ainda este ano, apurou o Jornal Económico.
A iniciativa partiu de um operador que está a procurar instituir uma espécie de multibanco social junto de freguesias em lugares mais remotos no acesso a numerário. Essa instituição fez a proposta que está em análise no supervisor bancário, mas não foi possível apurar a sua identidade.
O Económico sabe que este ponto de acesso social não será em pontos comerciais. Apesar de a próxima diretiva de serviços de pagamentos vir trazer condições mais favoráveis para fazer levantamentos de numerário junto de comerciantes. Porque atualmente só é possível obter numerário se houver uma compra associada ou se o comerciante tiver uma licença autorizada para fornecer esse serviço de levantamento de numerário. Mas com a nova diretiva vai ser possível em comércio obter numerário sem ter de fazer qualquer compra associada.
O JE sabe também que a entidade que apresentou o projeto não é nem o Banco Montepio (da Mutualista), nem o Grupo Crédito Agrícola. Aliás, fonte oficial do Crédito Agrícola disse que “já temos uma parte significativa das nossas ATM ao serviço social. São muitas as localidades no interior, em que a ATM do CA é a única ligação ao sistema bancário. Em mais de 700 localidades do país o único contato bancário é mesmo do Crédito Agrícola, ou através de agência ou de ATM”.
Este “multibanco social” pretende responder ao problema de a rede multibanco continuar a deixar de fora parte do território. Apesar de segundo as nossas fontes, a cobertura de ATM em Portugal compara bem com a média europeia.
O Banco de Portugal recomenda que se mantenha uma pequena reserva de dinheiro físico em casa para fazer face a emergências, sobretudo em zonas mais periféricas. Um estudo para o acesso ao numerário em Portugal e não compara mal a nível europeu.
Recorde-se que o Governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, revelou em março que está em contacto com outros bancos centrais para poder dar resposta à falta de máquinas multibanco em zonas rurais periféricas. Numa entrevista à TSF, o Governador afirmou que estão “a estudar algumas soluções”, que podem passar por trabalhar com as Juntas de Freguesia para garantir que o numerário existe em todo o lado. Estão, porém, abertas outras possibilidades, “nomeadamente utilizar o ‘cash-in-shop’ (dinheiro na loja)”. No fundo, é utilizar o terminal de pagamento automático (TPA) das lojas para os consumidores levantarem dinheiro que sai da caixa do estabelecimento comercial.
Nessa entrevista Álvaro Santos Pereira disse que “Acima de tudo, o que queremos é que as pessoas tenham escolha, ou seja, se as pessoas quiserem ter acesso ao numerário, devem ter essa possibilidade. Se as pessoas preferem pagar com os seus telemóveis ou com os seus cartões, também devem ter essa possibilidade. Nós gostamos de concorrência, nós gostamos de escolha, nós gostamos que as pessoas possam decidir por elas próprias o que é que querem fazer. No entanto, para nós, é muito importante: o Banco de Portugal não quer deixar ninguém para trás e não vamos deixar ninguém para trás, portanto, se houver um problema grave nessa área, nós diretamente iremos atuar”, argumentou o governador,