A Comissão Europeia está mais pessimista quanto ao crescimento português este ano, tendo cortado as previsões de 2,2% para 1,7% em 2026 e de 2,1% para 1,8% em 2027. Bruxelas antecipa também um regresso aos défices, apontando para 0,1% do PIB este ano e 0,4% em 2027, devido ao choque energético e às fortes tempestades que atingiram Portugal no início de 2026.

Nas previsões macroeconómicas divulgadas esta quinta-feira, a Comissão cita os “choques inesperados no início de 2026, incluindo tempestades severas em janeiro e fevereiro e a escalada nos preços da energia em março e abril” como razões para a revisão em baixa.

Portugal deverá crescer acima da média da zona euro (0,9%) e da UE (1,1%) este ano. Entre as instituições nacionais e internacionais, apenas o Conselho de Finanças Públicas (CFP) prevê um resultado inferior, com 1,6%. Para 2027, o crescimento português de 1,8% também supera a média da zona euro (1,2%), mas Espanha destaca-se com 2,4% este ano e 1,9% no próximo.

Na vertente orçamental, a Comissão reviu em alta o défice esperado para 2026 de 0,3% para 0,1% do PIB, e para 2027 de 0,5% para 0,4%. O Governo esperava um saldo nulo para este ano, mas o ministro das Finanças já admitiu que o défice é plausível.

A inflação harmonizada deve acelerar para 3% este ano e desacelerar para 2,3% em 2027. Já a dívida pública deverá cair para 87,6% do PIB em 2026 e para 86% em 2027, superando a meta do Governo de 87,8%.