Um estudo publicado este ano demonstra que, desde 2019, o Chega e André Ventura tinham uma exposição nos media muito superior ao peso eleitoral. O jornalista Miguel Carvalho, autor do livro “Por dentro do Chega”, considera que o sistema mediático está frágil e deixou o líder do Chega determinar a agenda. E o Jovem Conservador de Direita conta a história da criação de uma página de Facebook falsa do Chega de Vila Real e como uma publicação sobre Ventura e a vacinação da covid-19 o fez chegar às notícias.

De acordo com a análise, a cobertura mediática desproporcional contribuiu para a ascensão do partido, levantando questões sobre a responsabilidade dos meios de comunicação. Miguel Carvalho alerta que, inicialmente, pode ter havido ingenuidade por parte dos jornalistas, mas que atualmente se trata de cumplicidade, já que a lógica de audiência e cliques favorece a polarização e a figura polémica de Ventura.

O fenómeno não se limita aos canais tradicionais: nas redes sociais, páginas falsas e conteúdos virais amplificam a mensagem do Chega, como demonstra o caso da página fraudulenta de Vila Real. Uma simples publicação sobre a vacinação contra a covid-19 foi suficiente para gerar notícias e alimentar o ciclo de atenção mediática.