O Governo português confirmou hoje que uma cidadã portuguesa, que integra uma caravana humanitária, está detida em Bengazi, alegadamente por ter cometido uma infração, e deverá ser presente a tribunal e posteriormente expulsa da Líbia.

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português confirmou que uma ativista portuguesa está entre o grupo de 71 viajantes detidos em Bengazi, no âmbito da caravana humanitária Global Sumud Land Convoy. O ministério, tutelado por Paulo Rangel, adianta que a cidadã nacional terá ficado retida num posto de controlo líbio e levada para Bengazi, a 1.040 quilómetros a leste da capital Trípoli.
A cidadã não terá sido autorizada a passar a fronteira com o Egito, numa zona que, por motivos de segurança, só permite a passagem de cidadãos egípcios e líbios. Encontra-se detida sob autoridade da polícia local, alegadamente por cometimento de uma infração. O MNE adianta que os ativistas serão presentes a um tribunal, em data ainda por definir, que deverá determinar a sua expulsão do território.
O Governo português tem acompanhado a situação através da Embaixada de Portugal em Tunes, em estreita coordenação com as autoridades italianas no âmbito da cooperação europeia consular. Também envolveu as embaixadas em Roma, Ancara e Cairo. O MNE recorda que desaconselha qualquer viagem para a Líbia, conforme consta nos Conselhos aos Viajantes do Portal das Comunidades Portuguesas.
Associações de ativistas portuguesas ligadas ao movimento Global Sumud Land identificaram a detida como Ana Margarida França Santana Baptista. O grupo avançado da caravana está retido pelas autoridades do leste da Líbia e incontactável desde domingo. Além da portuguesa, integram o grupo uma espanhola, uma polaca, uma norte-americana, dois argentinos, um uruguaio, um tunisino e dois italianos, parte de mais de 350 cidadãos de 30 países que saíram há um mês da Mauritânia.
A Global Sumud Land confirmou a retenção do grupo que iria negociar a passagem com as autoridades do leste do país, lideradas pelo marechal Khalifa Haftar, que se opõem ao governo de unidade nacional em Trípoli. O grupo recorda ainda a recente interceção de 50 embarcações da flotilha Global Sumud e a detenção dos participantes em águas internacionais quando se dirigiam para Gaza.