O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho criticou esta segunda-feira os políticos que, segundo ele, se fazem passar por populistas para conquistar e manter o poder, descrevendo-os como “prostitutos sem carácter”. Numa intervenção que não deixou ninguém indiferente, Passos Coelho elogiou a política de imigração do Governo de Montenegro, mas não poupou críticas aos colegas que sacrificam a autenticidade pela popularidade.

“O autêntico ganha sempre ao postiço”, afirmou Passos Coelho, durante um discurso que abordou a necessidade de uma política de imigração responsável e justa. O ex-líder do PSD sublinhou que muitos políticos contemporâneos trocam a coerência ideológica por estratégias de curto prazo que os aproximam de movimentos populistas, mas sem a profundidade ou convicção necessárias.

A declaração foi feita em resposta às recentes medidas anunciadas pelo executivo de Luís Montenegro na área da imigração. Passos Coelho considerou que o atual Governo tem demonstrado “coragem e sensatez” ao equilibrar a necessidade de mão de obra com a integração social e o respeito pela legalidade. Contudo, alertou que o verdadeiro perigo está nos “falsos populistas” que, sem qualquer escrúpulo, moldam o seu discurso às exigências do momento.

“Há quem troque valores por votos. Esses, mais cedo ou mais tarde, serão desmascarados”, disse, acrescentando que a sociedade civil e os eleitores estarão cada vez mais atentos a estas manobras. As declarações de Passos Coelho surgem num contexto de crescente debate sobre a autenticidade política e o papel do populismo nas democracias ocidentais.

O ex-primeiro-ministro concluiu que a política deve ser feita com “caráter” e “princípios”, e não com base em sondagens ou modas passageiras. Para ele, a liderança autêntica é a única capaz de enfrentar os desafios complexos do século XXI, como a imigração, a economia e a coesão social.