O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, revelou esta quinta-feira (27) que o órgão estava a trabalhar num modelo de uma nota de US$ 250 com o rosto do presidente Donald Trump, em preparação para o que pode ser a primeira nota com o retrato de um presidente vivo.

Uma medida do tipo representaria uma reformulação dramática do dinheiro americano, que hoje só pode exibir a imagem de pessoas já falecidas. Trump também pressionou pela criação de uma moeda de US$ 1 com a sua imagem e está a ter a sua assinatura estampada nas notas este ano.

Todas essas iniciativas fazem parte de um esforço de Trump para se homenagear a si mesmo nas comemorações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos.

“Não acho que haja nada de impróprio em ter a pessoa que é presidente dos Estados Unidos na nota do 250º aniversário”, disse Bessent na Casa Branca.

O secretário do Tesouro observou que “atualmente, nenhuma pessoa viva pode aparecer na moeda americana” e disse que não haveria mudanças nessa política a menos que o Congresso aprovasse a legislação proposta permitindo que o retrato de Trump apareça numa nota de US$ 250.

Bessent reconheceu que indicados políticos no Departamento do Tesouro pediram ao Escritório de Gravação e Impressão que começasse os preparativos para a nova moeda.

A pressão para criar uma nova nota às pressas gerou controvérsia dentro do setor, que faz parte do Departamento do Tesouro, e coincidiu com a transferência abrupta no mês passado de sua ex-diretora, Patricia Solimene. Numa nota para a equipa obtida pelo The New York Times, Solimene escreveu que a sua mudança para outra área do Tesouro não foi escolha dela.

“Nunca sacrifiquei os valores ou o caráter de mim mesma ou da organização e sempre priorizei o Programa de Moeda dos EUA e o valor que cada funcionário traz para a missão”, escreveu Solimene antes de assinar com: “A responsabilidade parou aqui”.

Os planos para a nova nota de US$ 250 e a saída de Solimene foram noticiados primeiro pelo The Washington Post.

Trump não tem sido contido sobre o seu desejo de deixar sua marca na economia do país, ou pelo menos no seu dinheiro. No ano passado, a tesoureira dos EUA divulgou designs para uma moeda comemorativa com a imagem de Trump.

O plano gerou acusações de que o governo estava a violar uma lei de 1866 para que Trump pudesse homenagear a si mesmo. A legislação daquele ano consagrou uma tradição de que indivíduos só poderiam aparecer na moeda americana postumamente, para evitar a aparência de que a América era uma monarquia.

A comissão de artes escolhida a dedo por Trump aprovou numa votação em março uma moeda comemorativa de ouro 24 quilates com a imagem de Trump. Esta mostra o republicano com os punhos pressionados contra uma mesa e uma expressão carrancuda. O verso da moeda apresenta uma águia.

Separadamente, em março, o Departamento do Tesouro disse que Trump se tornaria o primeiro presidente americano em exercício a ter sua assinatura nas notas de dólar, aparecendo ao lado da assinatura de Bessent. A assinatura de Trump apareceria no lugar da do tesoureiro dos EUA, que tradicionalmente assina a moeda americana juntamente com o secretário do Tesouro.

Grandes mudanças na moeda americana tendem a ser controversas e podem levar anos por causa de intrincados recursos de segurança.

Um exemplo é o plano de reformulação da nota de US$ 20 que teria substituído Andrew Jackson por um retrato de Harriet Tubman, que foi paralisado durante o primeiro mandato de Trump. Steven Mnuchin, que era secretário do Tesouro do republicano na época, disse que o atraso decorreu da necessidade de focar em recursos antifalsificação na moeda.

A pressão por uma nova nota de US$ 250 com a imagem de Trump gerou reações negativas de alguns democratas no Congresso nesta quinta.

“Se esta Casa Branca colocasse pelo menos metade da energia que coloca em alimentar o ego do presidente em trabalhar para reduzir os custos, as famílias americanas não precisariam dessa nova nota de US$ 250 só para encher os seus tanques de gasolina”, disse o senador Mark Warner, democrata da Virgínia.