Quando falamos sobre os grandes desafios para as economias globais, tendemos a focar‑nos em fatores macroeconómicos tradicionais. No entanto, há um desafio emergente e silencioso com potencial para impactar até 5% do PIB até 2030: a saúde mental. O relatório “The Value of Mental Health”, do Zurich Insurance Group, mostra que o custo da inação é demasiado alto e que a responsabilidade de agir é coletiva. O peso dos problemas de saúde mental não se esgota nas baixas médicas: traduz‑se em perda de dias de vida saudável, em dificuldades no regresso ao trabalho e em custos humanos e económicos suportados desproporcionalmente por indivíduos, famílias e empresas.

Em muitos países, a despesa pública em saúde esconde uma realidade mais profunda: pagamentos diretos feitos pelas famílias, perdas de produtividade e milhares de horas de cuidados informais que não entram em nenhum orçamento oficial, mas condicionam a vida de milhões de pessoas. Onde o acesso a serviços públicos de qualidade é desigual e os sistemas de saúde e de proteção social não acompanham as necessidades, o impacto dos problemas de saúde mental torna‑se mais profundo e difícil de gerir.

Já o Executive Opinion Survey 2025 revelava a insuficiência dos serviços públicos e sistemas de proteção social – é o segundo risco que mais preocupa os líderes empresariais do G20. Ao mesmo tempo, os gaps de proteção financeira e de poupança estão a alargar‑se: as transformações demográficas e económicas colocam uma fatia crescente da responsabilidade pela segurança financeira nas mãos de cada indivíduo e família. Quando se vive com a perceção de que o sistema público pode não ser suficiente – seja em saúde, rendimento ou pensões – a ansiedade e a sensação de vulnerabilidade aumentam.

Perante esta realidade, torna‑se claro que a resposta não pode residir apenas nos orçamentos públicos. Um padrão comum emerge em diferentes países: uma parte muito significativa dos custos da saúde mental é suportada fora dos mecanismos formais, por indivíduos, agregados familiares e empregadores. Quando os sistemas chegam ao limite da capacidade, a fatura regressa a casa, fragilizando a estabilidade financeira e limitando oportunidades. É precisamente aqui que a resiliência entra como conceito‑chave. A questão passa, então, a ser como reforçar a relação entre sistemas de proteção capazes de apoiar e a capacidade individual para lidar com a adversidade, combinando saúde mental protegida, redes de apoio e margem financeira para enfrentar adversidades.

Investir em resiliência deixa de ser opcional para se tornar condição de sustentabilidade para pessoas, empresas e economias. É necessário que os sistemas de proteção evoluam para modelos mais preventivos, com intervenção mais precoce, continuidade de cuidados e foco na participação sustentável na vida ativa. Em paralelo, a resiliência financeira torna‑se um complemento indispensável à saúde mental. Seguros de vida com proteção de rendimento, soluções de poupança de longo prazo, produtos de investimento baseados em seguro e programas de literacia financeira ajudam as pessoas a atravessar períodos de doença ou instabilidade com maior estabilidade económica.

As seguradoras têm, por isso, uma oportunidade e uma responsabilidade únicas. Podem apoiar a construção de resiliência, ajudando famílias e empresas a preparar‑se para o inesperado e reduzindo o impacto económico de uma crise de saúde mental, ao mesmo tempo que inovam na integração de serviços de bem‑estar e saúde mental nas suas propostas. Não é possível construir economias resilientes se o nosso ativo mais valioso – as pessoas – estiver sob pressão constante. O custo oculto da saúde mental já está a ser pago em perda de bem‑estar, quebra de produtividade e pressão sobre famílias e sistemas públicos. A verdadeira escolha não é entre gastar ou poupar, mas entre investir hoje em resiliência ou continuar a suportar, de forma desordenada, os custos de nada fazer. Investir na saúde mental e na resiliência das pessoas é hoje uma das decisões mais prementes para o futuro da nossa economia e sociedade.