O Mundial de futebol que se inicia a 11 de junho poderá ter um impacto económico compreendido entre 378 e 945 milhões de euros, de acordo com estudo do IPAM, sendo que esta diferença explica-se pelo possível desempenho da Seleção portuguesa.

A análise foi desenvolvida pelo Gabinete de Estudos de Marketing para Desporto do IPAM e conclui que o impacto económico pode ser o maior de sempre em Portugal associado a uma competição que o país não organiza.

“O valor mínimo estimado, correspondente à fase de grupos, é de 378 milhões de euros. Num cenário intermédio, com chegada aos oitavos de final, o impacto poderá atingir 561 milhões de euros. Em caso de vitória, poderá chegar aos 945 milhões de euros”, pode ler-se no estudo do IPAM.

Este impacto pode resultar de quatro fatores principais, segundo este estudo do IPAM: aumento do poder de compra, organização da competição em mercados de elevada capacidade económica, Estados Unidos, Canadá e México, alargamento do Mundial para 48 seleções e 104 jogos, e consolidação da economia digital como nova fonte de valor.

O IPAM revela que o estudo identifica aquilo que designa de “transformação estrutural” no modelo económico do futebol. Assim, embora “o consumo tradicional continue a representar a maioria do impacto, cerca de 77%, a componente digital já representa 23% do valor estimado, através de plataformas de streaming, redes sociais, engagement e criação de conteúdos por utilizadores”.

Se o consumo doméstico continua a surgir como a principal categoria de impacto (com 26% do total), seguido da restauração (15%) e da publicidade e media (14%), é de destacar o crescimento do bloco digital: as plataformas de streaming e OTT representam 10%, o engagement nas redes sociais 7% e a chamada content economy 6%.

“Cartas e cromos, 5%, e merchandising, 4%, indicam que o Mundial ativa economias emocionais e colecionáveis, com forte tração em segmentos específicos e em ciclos de compra por impulso. As apostas, 6%, surgem como componente relevante, mas já integrada numa lógica de entretenimento e conveniência”, pode ler-se no estudo do IPAM.

Daniel Sá, diretor-executivo do IPAM, destaca que “o futebol continua a gerar consumo, mas o crescimento está cada vez mais na forma como esse consumo é partilhado, comentado, transformado em conteúdo e amplificado. Quase um em cada quatro euros gerados pelo Mundial já vem do digital”.

“A investigação destaca ainda o papel do adepto como novo ativo económico. De acordo com o estudo, um adepto casual poderá gerar entre 40 e 70 euros durante a competição, enquanto adeptos intensivos e digitais podem atingir valores muito superiores, devido à combinação entre consumo recorrente, presença multi-plataforma, interação social e influência sobre outros consumidores”, realça o estudo do IPAM.