O Presidente da República, António José Seguro, afirmou esta terça-feira, durante as cerimónias do 10 de junho em Angra do Heroísmo, que a autonomia estratégica europeia deve ser uma “prioridade” para a União Europeia. No seu primeiro discurso como chefe de Estado nesta data simbólica, Seguro sublinhou que esta posição “não é contraditória com a defesa transatlântica”, procurando dissipar receios de um afastamento dos EUA.
“A Europa precisa de assumir maior responsabilidade pela sua própria segurança, sem que isso signifique enfraquecer a aliança com os Estados Unidos”, declarou, numa intervenção que ocorreu na ilha da Terceira, nos Açores, local de importância histórica para a presença americana na Europa. Acompanhado pelo seu antecessor, Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente aproveitou a ocasião para defender uma posição equilibrada: mais investimento em defesa comum, coordenação industrial e independência tecnológica, mas mantendo a NATO como pilar central.
O discurso surge num contexto de renovado debate na União Europeia sobre a necessidade de reduzir dependências externas, após a invasão russa da Ucrânia e as incertezas quanto ao futuro do compromisso dos EUA com o continente. A escolha dos Açores para a celebração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, não foi inocente: a base das Lajes, na Terceira, é um dos principais símbolos da cooperação luso-americana e da presença atlântica dos EUA na Europa.
Seguro defendeu ainda que a autonomia estratégica europeia passa também por áreas como a energia, a digitalização e a defesa cibernética, propondo a criação de um fundo europeu para investimento em tecnologias críticas. “Não se trata de fechar portas, mas de construir uma Europa mais forte e resiliente, capaz de fazer face aos desafios do século XXI”, concluiu.
A cerimónia contou com a presença de diversas entidades civis e militares, e incluiu uma homenagem aos militares portugueses que participaram em missões internacionais. A data, que este ano se focou na diáspora e nas comunidades portuguesas, serviu também para reforçar o compromisso do país com a europeização e a modernização das Forças Armadas.