A Comissão de Trabalhadores (CT) do Banco Comercial Português (BCP) divulgou uma carta aberta dirigida à comissão executiva do banco, criticando a falta de reconhecimento dos trabalhadores na distribuição dos resultados de 2025 e defendendo uma repartição mais equilibrada dos lucros. A CT, liderada por Celso Sá, argumenta que os resultados históricos da instituição assentam no desempenho dos seus colaboradores, que continuam sem ver refletido nos aumentos salariais ou na distribuição de resultados o contributo que dão para os lucros do banco.
No entanto, segundo apurou o Jornal Económico, a ‘carta aberta’ não foi enviada ao CEO, Miguel Maya. No documento, subscrito pela maioria dos membros da CT, os representantes dos trabalhadores afirmam existir uma ‘reiterada e incompreensível’ ausência de reconhecimento pelo trabalho desenvolvido. A comissão sustenta que, enquanto aos acionistas e à comissão executiva é atribuída ‘uma fatia maior’ dos resultados, os trabalhadores, apesar de lhes ser exigido um desempenho crescente, ‘recebem uma mão cheia de nada’, alertando que esta situação afeta a motivação das equipas.
Na carta, a CT recorda declarações do presidente executivo do BCP, Miguel Maya, em que este elogia os trabalhadores como uma equipa ‘absolutamente excecional’ e afirma que um crescimento da atividade permitirá ‘distribuir melhor’ e ‘distribuir mais’, defendendo que essas palavras devem traduzir-se em medidas concretas de valorização dos colaboradores.
O documento estabelece ainda uma comparação entre o reforço do complemento de reforma atribuído ao presidente da comissão executiva e a situação dos trabalhadores. Segundo a CT, o aumento daquele complemento ascendeu a 82.335,14 euros, enquanto um trabalhador com um rendimento anual de 30.000 euros teria recebido um reforço de 300 euros, concluindo que seriam necessários 785 anos para atingir o mesmo montante atribuído ao presidente executivo num único ano.
A comissão termina apelando à administração para que os trabalhadores sejam reconhecidos não apenas pelo contributo para os resultados financeiros do banco, mas também na distribuição dos lucros, defendendo que, se a instituição obtém melhores resultados graças ao seu desempenho, esses benefícios devem ser repartidos de forma mais ampla.