O Partido Comunista Português (PCP) manifestou esta sexta-feira a sua oposição à nomeação de Paulo Portas para coordenar as comemorações dos 900 anos da fundação de Portugal. Em comunicado, os comunistas consideram a escolha ‘inadequada’ e rejeitam a ideia de que seja consensual, sublinhando que o ex-ministro e dirigente do CDS não representa os valores de unidade que a efeméride exige.
O Governo aprovou a criação da comissão organizadora na passada sexta-feira, 4 de julho de 2026, num momento em que se iniciam os preparativos para as celebrações que decorrerão em 2028. A decisão gerou polémica no espectro político, com o PCP a ser a primeira voz a criticar abertamente a nomeação.
Num comunicado intitulado ‘Celebrar Portugal sem sectarismos’, o PCP afirma que ‘a escolha do Prof. Doutor Paulo Portas, figura com um percurso político marcado por opções de direita e por um passado de apoio a governos que atacaram os direitos dos trabalhadores, não é a mais acertada para liderar um processo que deveria unir todos os portugueses’.
A crítica estende-se também ao método de escolha: ‘O Governo aprovou a criação da comissão sem qualquer consulta alargada à sociedade civil, às autarquias ou às forças políticas com assento parlamentar. Isto não é consensual, é imposição’, lê-se no documento.
Fonte do Ministério da Cultura, contactada pela Renascença, defendeu a escolha lembrando o ‘extenso currículo académico e político’ de Paulo Portas, que já exerceu funções como ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-primeiro-ministro. ‘O Dr. Paulo Portas reúne todas as condições para organizar um evento à altura da história de Portugal’, afirmou.
As comemorações dos 900 anos da fundação de Portugal, que terão o seu ponto alto em 2028, visam assinalar a data de 1147, quando D. Afonso Henriques conquistou Lisboa, consolidando o território que viria a ser Portugal. Estão previstas exposições, conferências, concertos e reconstituições históricas em várias cidades do país.
O PCP já anunciou que apresentará uma interpelação ao Governo na Assembleia da República para discutir o processo de nomeação e a composição da comissão organizadora.