O Presidente da República alertou, esta segunda-feira, que a democracia está “profundamente em risco” se a inteligência artificial (IA) “seguir um caminho sem qualquer regra”. A declaração foi feita durante a conferência “Inteligência Artificial e Democracia”, em Lisboa, onde o chefe de Estado comparou os algoritmos opacos ao mítico Adamastor, figura dos “Lusíadas” que representa o desconhecido e o perigo.

“O algoritmo que decide sem explicar é o novo Adamastor”, afirmou, sublinhando que, tal como o gigante que ameaçava os navegadores portugueses, a IA pode tornar-se um monstro se não for regulada. O Presidente apelou a uma abordagem “urgente e global” para garantir que a tecnologia serve o bem comum e não a discriminação ou a manipulação política.

A intervenção surge na sequência de um pacote legislativo da União Europeia que visa estabelecer limites éticos à IA, mas que, segundo o Presidente, ainda é insuficiente. “Precisamos de mais do que leis; precisamos de uma cultura de transparência e responsabilidade”, reforçou, citando exemplos como a utilização de IA em processos judiciais ou na definição de políticas públicas.

Segundo o chefe de Estado, a sociedade civil, os governos e as empresas devem trabalhar em conjunto para evitar que a IA se torne um instrumento de opressão. “O Adamastor pode ser domado, mas para isso precisamos de o conhecer. Sem luz, não há democracia”, concluiu.