O seguro multirriscos habitação protege aquilo que, para a maioria das famílias, é o maior investimento de uma vida: a casa. É obrigatório para os imóveis com crédito à habitação e fortemente recomendável para todos os outros. Ainda assim, é dos contratos que menos gente revê depois de assinar.
A consequência é uma apólice que, com o tempo, deixa de refletir a realidade. Umas coberturas ficam a mais, pagas ano após ano sem utilidade real; outras ficam a menos, deixando a descoberto riscos que entretanto passaram a fazer sentido. A proteção existe, mas está desalinhada com a casa e com a vida de quem lá mora.
Rever a apólice não significa necessariamente gastar mais. Muitas vezes é o contrário: ajustar o capital seguro ao valor real de reconstrução, eliminar coberturas duplicadas e reforçar as que interessam pode melhorar a proteção e, ao mesmo tempo, baixar o prémio. O ponto de partida é comparar o que se tem com o que o mercado oferece hoje.
Como em quase tudo o que toca ao orçamento familiar, o risco maior não é escolher mal, é não escolher. Uma apólice assinada no piloto automático, e nunca mais tocada, é uma proteção que se assume existir sem se confirmar se ainda serve. E, num seguro, essa confirmação faz-se antes do sinistro, nunca depois.
O gesto útil é, uma vez por ano, olhar para a apólice com olhos de hoje: a casa é a mesma, mas o seu valor, o seu recheio e as suas necessidades mudam. Alinhar a proteção com essa realidade é o que separa um seguro que dá descanso de um seguro que só dá trabalho no pior momento.