A Qantara Capital avança com um investimento de 468 milhões de euros num parque logístico que ficará localizado em Grândola, o Grândola Logistics Park Euro-Atlantic (GLPEA).
Posicionado como o novo portal de ligação para o corredor de comércio e dados Euro-Atlântico, este novo parque logístico assume uma relevância estratégica pela sua posição geográfica, garantindo acesso direto a rotas comerciais marítimas e a Sines, funcionando como porta de entrada para o mercado europeu. O empreendimento responde à escassez de terrenos logísticos de grande escala em Portugal através de um modelo focado na sustentabilidade ambiental e na multimodalidade.
O parque assegura ligação direta ao IC1 e à Linha Ferroviária do Sul, situando-se a apenas 8 km da autoestrada A2. Esta conectividade multimodal coloca o complexo a 50 km do Porto de Sines, a 64 km de Setúbal e a 100 km de Lisboa. A infraestrutura disponibilizará uma área total de terreno de 1,3 milhões de metros quadrados, com 635.000 metros quadrados de construção e um terminal ferroviário de mercadorias com um parque de contentores de 23.000 metros quadrados.
O GLPEA assume-se como uma plataforma estratégica de escala ibérica que responde de forma direta à escassez de grandes espaços logísticos em Portugal, um fator crítico para a competitividade do país. Ao ligar esta infraestrutura multimodal ao Porto de Sines e às principais redes de transporte europeias, está a abrir uma porta de entrada fulcral para o comércio internacional e a reforçar o posicionamento de Portugal nas cadeias de abastecimento globais.
O impacto financeiro do projeto contribuirá para fortalecer e diversificar a economia local, reduzindo a dependência do turismo e da agricultura, e gerará receitas contínuas para o município e para a região. Grândola irá beneficiar diretamente com a construção desta infraestrutura, uma vez que o Plano de Pormenor do projeto prevê uma zona de uso misto para comércio local, como cafés, restaurantes e lojas, serviços como creches e espaços de coworking, e a cedência de terrenos para áreas de lazer e desporto, tudo acessível ao público. Está também prevista a doação de um edifício para a instalação de serviços municipais ou sociais, como a Proteção Civil e os Bombeiros locais.
O parque logístico vai funcionar num modelo Built-to-Suit, em que as instalações são construídas à medida dos requisitos técnicos de cada inquilino, mediante contratos de arrendamento de longa duração. O parque foi dimensionado para acolher cerca de mil utilizadores diários, gerando emprego de forma gradual e prioritariamente local. A procura de mão-de-obra apoia-se num universo de 33.000 profissionais ativos num raio de 30 minutos de deslocação.
No plano ambiental, o projeto exige certificação de construção sustentável para todos os edifícios, e irá maximizar a utilização de energia renovável através de painéis solares nas coberturas dos edifícios e no parque de estacionamento. Será também adotada uma abordagem baseada em dados relativamente ao consumo de energia, que permitirá otimizar continuamente as capacidades de produção, armazenamento e carregamento. O abastecimento de água será gerido com as Águas do Alentejo e incluirá uma ETAR própria para reutilização de águas tratadas em regas e usos não potáveis.
Com o objetivo de salvaguardar os ecossistemas locais, serão preservados 410.000 metros quadrados de zonas verdes (cerca de um terço do terreno), o que inclui faixas de enquadramento junto ao IC1, espaços de conservação como o parque das Armérias e a manutenção de 19 hectares de vegetação natural e sobreiros. Em articulação com as entidades competentes, foram incorporadas medidas obrigatórias de mitigação e compensação para as espécies protegidas identificadas na área de implantação, que é predominantemente constituída por povoamentos de pinheiro-bravo.
A consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental terminou a 2 de julho, sublinhando que o projeto já contava com aprovação condicional em Conferência Procedimental desde fevereiro de 2025. O promotor prevê iniciar as obras de infraestruturas imediatamente após a emissão da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) e das licenças definitivas, decorrentes da aprovação do Plano de Pormenor por parte do Município.