O número de transações suspeitas registadas em casinos de Macau, capital mundial do jogo, subiu 8,7% na primeira metade do ano, em comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com dados oficiais.

O Gabinete de Informação Financeira (GIF) referiu que as seis operadoras de casinos na região chinesa submeteram, no total, 2.018 participações de transações suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo.

Segundo estatísticas divulgadas na terça-feira, o GIF apontou o aumento do número de participações reportadas pelo setor do jogo como a principal razão para uma subida de 9,5% no número total de transações suspeitas.

Entre janeiro e junho, o gabinete recebeu 2.753 participações, sendo que 73,3% vieram das concessionárias de casinos, enquanto 19,1% vieram de bancos e seguradoras e 7,6% de outras instituições e entidades.

Os setores referenciados, incluindo lojas de penhores, joalharias, imobiliárias e casas de leilões, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transação igual ou superior a 500 mil patacas (cerca de 54 mil euros).

Em 2025, o GIF recebeu 4.925 participações, menos 6,1% do que no ano anterior, quando a região semiautónoma chinesa tinha fixado um recorde no número de transações suspeitas.

No final de março, o Ministério Público de Taiwan acusou 10 pessoas de usarem casinos de Macau para branquear 33 mil milhões de dólares taiwaneses (893 milhões de euros), provenientes de jogo ilegal na Internet.

Em março de 2022, o Departamento de Estado dos EUA designou Macau como um dos principais pontos de branqueamento de capitais a nível mundial, apontando os angariadores de grandes apostadores (conhecidos como ‘junkets’) e as actividades ilícitas que eles muitas vezes facilitam.

Isto apesar da detenção, em novembro de 2021, de Alvin Chau Cheok Wa, líder da Suncity, então o maior angariador de apostas VIP do mundo.

No início de abril, especialistas em crime organizado indicaram à Lusa que Macau continua a ser um nó fundamental para a lavagem de dinheiro por organizações criminosas, apesar do desmantelamento do sistema de ‘junkets’.

Embora grandes sindicatos criminosos chineses tenham deslocado operações pelo Sudeste Asiático em resposta a medidas repressivas, Macau continua a ser um ponto operacional e de encontro para estas redes profundamente enraizadas, disse Martin Pubrick, antigo membro da Polícia Real de Hong Kong e especialista em corrupção e crime organizado.

Casas de câmbio, lojas de penhores e movimentos através de cartões de crédito absorveram essa procura, o que pode significar que a lavagem de dinheiro em Macau é hoje menos centralizada e menos visível, sublinhou John Wojcik, investigador sénior da Infoblox Threat Intelligence e ex-analista do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.