Na fatura da eletricidade há uma parcela que se paga todos os meses, use-se muita ou pouca energia: a potência contratada. Medida em quilovolt-ampere (kVA), define quantos aparelhos podem funcionar em simultâneo sem que o quadro elétrico dispare, e tem um custo fixo associado, independente do consumo real de eletricidade.
O problema é que muitas casas em Portugal têm uma potência superior à necessária. Este valor foi definido na instalação, muitas vezes há anos, com margem excessiva, e nunca mais foi revista. O resultado é um custo fixo mensal inflacionado, pago religiosamente sem que muitos consumidores se apercebam.
Ajustar a potência à realidade do agregado familiar é uma das poupanças mais silenciosas no orçamento doméstico. Uma casa que raramente utiliza vários eletrodomésticos de elevado consumo ao mesmo tempo pode, com segurança, optar por uma potência mais baixa, reduzindo a parcela fixa da fatura sem perder conforto.
Antes de fazer qualquer alteração, é fundamental simular a potência adequada ao perfil de consumo, para evitar escolher um valor muito baixo que faça o quadro elétrico disparar constantemente. O objetivo não é cortar cegamente, mas sim dimensionar corretamente: nem a mais, que é dinheiro desperdiçado, nem a menos, que gera desconforto e transtornos no dia a dia.
Rever a potência contratada é um gesto simples que se faz uma vez e pode render poupanças durante anos. Ao contrário do consumo de energia, que exige atenção e ajustes constantes, a parcela fixa corrige-se de uma só vez. Vale a pena considerar esta revisão, sobretudo em habitações onde a potência nunca foi questionada desde o momento em que a eletricidade foi ligada.