A lista dos países da União Europeia que mais gastam em defesa em percentagem do PIB é liderada, segundo dados oficiais coligidos pelo Parlamento Europeu (para 2025) pelos três países bálticos e pelos três países escandinavos. Segundo aquela fonte, a Lituânia gasta 5,33%, a Estónia 5,1% e a Letónia 4,92%. São seguidos a pouca distância pela Dinamarca (3,49%), Suécia (3,22%, a mais recente entrada no universo da NATO) e Finlândia (2,75%). A Noruega, país escandinavo que não faz parte da União Europeia, gasta 3,4%.
Por razões diversas, entre o grupo dos bálticos e dos escandinavos estão a Polónia, que gasta 4,68% do PIB em defesa – devido principalmente aos cerca de 210 km de fronteira partilhada com a Rússia; e a Grécia (3,65%), que tem uma muito antiga animosidade com a vizinha Turquia, apesar de ambos os países serem Estados-membros da NATO.
Em termos nominais (e não em percentagem do PIB), apenas cinco dos 27 países da União Europeia apresentam gastos em defesa acima dos 20 mil milhões de euros. A Alemanha lidera destacada com 90,6 mil milhões de euros, seguida pela França (68,5 mil milhões), da Itália (32,7 mil milhões), da Polónia (31,9 mil milhões, o crescimento mais acelerado do bloco) e a Espanha (22,7 mil milhões, que representam 2% do PIB, relação que o país entende não querer aumentar).
O caso da Alemanha
Em março do ano passado, a Alemanha, liderada pelo democrata-cristão Friedrich Merz, aprovou a criação do chamado Fundo Especial Extraordinário, dotados com 500 mil milhões de euros e dedicado estritamente a investimentos considerados urgentes em defesa e infraestruturas críticas. É uma espécie de ‘despertar do leão’: se é verdade que os alemães negligenciaram os gastos em defesa a partir do queda do mundo de Berlim (novembro de 1989) e principalmente da reunificação (outubro de 1990), o país está muito longe de ser uma região desmilitarizada desde o fim da II Guerra (1945), como por vezes parece fazer querer.
De facto, a Alemanha (então ainda não dividida, o que só aconteceria em 1949) começou a contestar a desmilitarização imposta pelos Aliados (vencedores da guerra) logo em 1946. Com a criação das duas Alemanhas, as potências ocidentais aceitaram o rearmamento, tendo uma década depois (em 1957) rejeitado o Plano Rapacki – que pretendia delineava uma área geográfica desmilitarizada e desnuclearizada que abrangia a Polónia (Adam Rapacki era ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia), Checoslováquia, Alemanha Ocidental (RFA) e Alemanha Oriental (RDA). A nuclearização da Alemanha veio logo a seguir e a NATO teve vários desaguisados com o chanceler alemão da altura (o famoso Konrad Adenauer), que pretendia que a decisão de uso dessas armas estivesse nas mãos do governo germânico e não nas do comando da aliança atlântica.
O caso de Portugal
Ainda para o ano de 2025, Portugal gastou, segundo a mesma fonte, 2,1% do PIB em defesa (cerca de 6,7 mil milhões de euros) – sensivelmente o mesmo que a Itália, Chéquia, Hungria, Roménia, Eslováquia, Bélgica, Croácia, Bulgária e Luxemburgo.
Segundo disse o primeiro-ministro Luís Montenegro em Ancara. Portugal prepara-se para investir 3,1% do PIB em defesa – dos quais 2,1% estão alocados ao exército e 1% a infraestruturas, redes de comunicações, energia, transportes e outras áreas de dupla utilização.
A lista de gastos em defesa é fechada pelas poupadas Eslovénia (1,61% do PIB), Chipre (1,50%), Áustria (0,95%), Irlanda (0,55%) e Malta (0,42%) – com estes quatro últimos a serem os únicos países da União Europeia que não são Estados-membros da NATO.
O total de gastos dos Estados-membros da União Europeia foi, em 2025, da ordem dos 381 mil milhões de euros, correspondendo a uma média consolidada de 2,1% do PIB do bloco. Em 2026 deverá atingir os 400 mil milhões, mas é no Orçamento Plurianual para 2028-34 que o bloco pretende dar o salto para gastos mais robustos na defesa.
Vale a pena recordar que a história da humanidade atesta que a frase ‘se queres a paz prepara-te para a guerra’ é pura mentira.