O fundo soberano da Arábia Saudita alertou mais uma vez para que as regulamentações europeias estão a “prejudicar” os investidores internacionais e a impedi-los de investir mais no continente, mesmo tendo oferecido mais de 10,4 mil milhões de euros em oportunidades de investimento na Europa até 2030. Yasir al-Rumayyan, governador do Fundo de Investimento Público (PIF), afirmou numa cimeira em Roma que “os desafios regulamentares e algumas das leis que deveriam ser ativadas” estão “realmente a prejudicar investidores como nós, a Aramco, a Sabic… não só a impedi-los de investir mais, mas também de manter os seus investimentos na Europa”.
O regulamento da UE relativo a subsídios estrangeiros, em vigor desde 2023, permite a Bruxelas impedir empresas subsidiadas por governos estrangeiros de participar em concursos públicos, fusões e aquisições e de vender bens e serviços no mercado único. A Comissão Europeia já utilizou este instrumento para investigar a aquisição da empresa química alemã Covestro pela petrolífera estatal de Abu Dhabi, que acabou por ser aprovada. “Há muita incerteza, o que não agrada aos investidores”, afirmou um advogado que aconselha clientes interessados em investir na União, citado pelo jornal ‘Financial Times’. Bruxelas, no entanto, considera as queixas como tentativas de lobby, argumentando que não há sinais claros de que o investimento do Médio Oriente esteja a diminuir. “Se os investidores estão mais cautelosos, isso tem provavelmente mais a ver com a guerra [com o Irão] do que com os nossos regulamentos”, disse um responsável da UE, citado pelo mesmo jornal.
Al-Rumayyan afirmou ter esperança de que os governos europeus encontrem soluções para estes desafios. “O lado positivo é que os reguladores e legisladores europeus estão a analisar a situação e, com sorte, encontrarão melhores soluções”, disse na cimeira organizada pelo Instituto de Iniciativa de Investimento Futuro (Future Investment Initiative Institute), uma organização sem fins lucrativos apoiada pelo fundo soberano saudita. O administrador do fundo afirmou que o PIF investiu 98 mil milhões de euros na União e no Reino Unido entre 2017 e 2025, criando 160 mil postos de trabalho. Referiu ainda que a Aramco investiu cerca de 80 mil milhões em fornecedores europeus. Os investimentos europeus do PIF incluíram a sua participação no fabricante italiano de supercarros Pagani e no grupo de iates de luxo Azimut Benetti.
Al-Rumayyan explicou que os investimentos no exterior podem diminuir em termos percentuais em relação ao total, mas aumentar em termos absolutos, à medida que o fundo continua a expandir os seus ativos sob gestão. “Muitos pensaram que iríamos deixar de investir internacionalmente. Posso garantir que isso não vai acontecer. Vamos continuar a investir e a aplicar recursos”, afirmou.