Angola deve apostar no reforço da sua soberania económica através do desenvolvimento da segurança alimentar, da energia, da logística, das infra-estruturas e de cadeias de valor capazes de reduzir a dependência externa e transformar futuras crises internacionais em oportunidades de crescimento.

A visão foi defendida esta Quarta-feira, em Lisboa, pelo director financeiro do Grupo Opaia, Hugo Azevedo, ao intervir no painel “Recursos Estratégicos: Angola na Nova Geopolítica Global”, integrado na conferência Doing Business Angola 2026, promovida pelo Jornal Económico e pela Forbes África Lusófona.

O responsável afirmou que o país deve preparar-se para responder aos desafios globais com maior autonomia produtiva.

“Precisamos de ter soberania em áreas como a segurança alimentar, as cadeias de valor, a logística, a energia e as infra-estruturas. Quando surgir uma nova crise mundial, Angola não deve estar a pagar a factura, mas sim a beneficiar das oportunidades que essas crises podem criar”, defendeu.

Como exemplo desta estratégia, Hugo Azevedo destacou o projecto Amufert, iniciativa industrial liderada pelo Grupo Opaia que pretende produzir fertilizantes a partir de recursos disponíveis em Angola, combinando gás natural e fosfato.

Segundo explicou, a empresa está a desenvolver uma fábrica de fertilizantes no município do Soyo, província do Zaire, ao mesmo tempo que prepara o arranque da exploração das suas concessões de fosfato, previsto para 2027.

Na perspectiva do responsável, o projecto representa um exemplo de como a transformação local dos recursos naturais pode contribuir para a industrialização, reduzir a dependência das importações e fortalecer a segurança alimentar do país.

Hugo Azevedo sublinhou ainda que o investimento só foi possível graças à parceria entre o sector privado e o Estado angolano.

“Este projecto não seria possível sem o apoio do Executivo angolano. Temos como accionistas a Sonagás e o Fundo Soberano de Angola. É uma iniciativa que alia a visão do empresário à estratégia do Executivo para a industrialização do país e para a criação de valor acrescentado na economia”, afirmou.

O gestor acrescentou que o projecto já representa um contributo para esse objectivo, através da produção nacional de amónia e ureia, duas matérias-primas fundamentais para a indústria dos fertilizantes e para o reforço da produtividade agrícola.