O debate do Estado da Nação desta quinta-feira promete ser marcado por tensão e acusações mútuas entre os principais partidos. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, assumiu a dianteira ao acusar o Partido Socialista (PS) de estar a “esconder” dados relevantes sobre a imigração, num contexto em que o país enfrenta desafios significativos nesta área.
Segundo Montenegro, o PS teria deliberadamente omitido informações que comprovariam o impacto negativo das políticas imigratórias anteriores, nomeadamente em termos de pressão sobre os serviços públicos e o mercado de trabalho. O governante prometeu apresentar durante o debate “números oficiais que foram suprimidos” para demonstrar a necessidade de uma revisão urgente da estratégia nacional.
Do lado do Chega, André Ventura foi mais longe e sugeriu a apresentação de uma moção de confiança ao Governo, caso as explicações do Executivo sobre o tema da imigração não sejam satisfatórias. “Não podemos continuar a fingir que está tudo bem. Os portugueses querem respostas claras e, se não as obtiverem, o Governo terá de enfrentar as consequências políticas”, afirmou Ventura.
O debate decorre sob forte pressão. Além da polémica em torno da correção dos exames nacionais, o país registou dois trimestres consecutivos com saldo orçamental negativo e 540 mortes em excesso durante a onda de calor do início de julho, dados que têm alimentado críticas da oposição.
Espera-se que os temas da Saúde, Economia, Educação, Habitação e Imigração dominem as intervenções dos partidos, num dia que poderá definir o rumo político do semestre.