O Ministro da Administração Interna, Luís Neves, justificou esta quarta-feira com um “mero lapso” a não declaração, no registo de interesses, da empresa de alojamento local detida pela sua mulher. O documento foi posteriormente corrigido, mas passou por três versões, o que levou a oposição a exigir esclarecimentos adicionais.

Em comunicado enviado à comunicação social, o governante afirma que a omissão foi “involuntária” e que, assim que detetada, foi regularizada junto do Tribunal Constitucional. No entanto, a versão inicial, datada de 2024, não incluía a referência à sociedade, tendo sido necessárias duas retificações para que a informação ficasse completa.

A oposição, sobretudo os partidos de esquerda e o Chega, questiona a credibilidade do ministro e pede a sua comparência na Assembleia da República para prestar esclarecimentos. O Bloco de Esquerda já anunciou que vai requerer a audição urgente de Luís Neves, considerando que “não é aceitável que um membro do Governo tenha três versões da mesma declaração”.

A polémica surge numa altura em que o executivo tem defendido a transparência e o combate à corrupção como bandeiras da sua ação política. A empresa em causa, registada em nome da cônjuge do ministro, opera no setor do alojamento local e, segundo fontes oficiais, tem atividade regular.