O presidente dos Estados Unidos decidiu impor tarifas de 25% sobre algumas importações brasileiras devido a supostas práticas “desleais”, uma decisão que pode afetar a economia e a política do país sul-americano.

Donald Trump ameaçou repetidamente impor tarifas ao Brasil — embora este seja um dos poucos países latino-americanos com os quais os Estados Unidos têm superavit comercial — em resposta ao que ele considera uma perseguição injusta ao ex-presidente brasileiro e seu aliado próximo, Jair Bolsonaro.

No entanto, as tarifas americanas podem enfraquecer a posição do filho de Bolsonaro, Flávio, que concorre à eleição presidencial de outubro: da última vez que Trump impôs tarifas à maior economia da América do Sul, o apoio ao então presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva aumentou.

O aumento tarifário incide sobre mais de quatro mil produtos (principalmente bens industriais e manufaturados), gerando um impacto estimado em 14,9 mil milhões de dólares para os exportadores. No entanto, Washington abriu uma lista com mais de 2.200 exceções para poupar itens de abastecimento críticos.

Segundo o representante norte-americano de Comércio, Jamieson Greer, a medida surge como uma resposta para proteger os interesses económicos dos EUA e é necessária “para enfrentar práticas comerciais desleais e garantir que trabalhadores e empresas americanas possam competir em condições justas”.

Afirmou ainda que as negociações entre os dois países ao longo do último ano não resolveram as divergências, mas que Washington continua aberto a novas conversas com Brasília.

A lista dos produtos alvo das tarifas é extensa e inclui etanol, máquinas agrícolas, roupas e calçados e material elétrico. Já itens como café, laranja, suco de laranja e carne bovina, por exemplo, ficaram fora da cobrança adicional.

Nas redes sociais, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, defendeu a decisão do governo Trump de impor tarifas de 25% sobre a maior parte das importações brasileiras. “Não haja dúvidas sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”, escreveu.