O debate do Estado da Nação, realizado esta quarta-feira, foi dominado pelo tema dos exames nacionais, com o primeiro-ministro Luís Montenegro a admitir que “nem tudo correu bem” na sua aplicação, mas a rejeitar que se tenha instalado um “caos” no sistema educativo. O líder do executivo garantiu ainda a continuidade da Ministra da Administração Interna, Margarida Blasco, apesar das críticas da oposição.

Durante a discussão, que durou várias horas, Montenegro respondeu às acusações de que o Governo falhou na gestão dos exames, reconhecendo falhas logísticas e de comunicação, mas assegurando que as medidas corretivas já foram implementadas para o próximo ano letivo. “Reconhecemos que houve problemas, mas não podemos aceitar a narrativa de colapso total”, afirmou.

Além dos exames, a imigração foi outro tema quente, com o primeiro-ministro a defender as políticas de integração e fronteiras do seu executivo. As recentes deslocações ao Mundial de futebol também foram alvo de críticas, mas Montenegro justificou-as como parte da diplomacia desportiva.

Um dos momentos mais tensos do debate ocorreu quando o PS e o Chega mostraram convergências em algumas críticas ao Governo, especialmente na área da educação e segurança. O primeiro-ministro aproveitou para salientar a estabilidade governativa e a necessidade de “não ceder a populismos”.

Para além de segurar a ministra da Administração Interna, Montenegro anunciou novas medidas de apoio aos estudantes e professores, prometendo rever o modelo de avaliação nacional. O debate terminou sem grandes ruturas, mas com a oposição a prometer fiscalização apertada nos próximos meses.