O líder do Chega, André Ventura, afirmou recentemente que o primeiro-ministro Luís Montenegro foi “o único da Europa e do Mundo” a deslocar-se para assistir a três jogos da Seleção Nacional no Mundial de Futebol, criticando-o por tal ter ocorrido enquanto o país estava em situação de alerta devido ao risco de incêndios. Mas será que esta afirmação corresponde à verdade?
De acordo com a verificação de factos da Renascença, a alegação de Ventura é enganadora e carece de fundamento. Embora Montenegro tenha assistido a três jogos de Portugal no Mundial, a afirmação de que foi “o único” primeiro-ministro a fazê-lo é falsa. Diversos líderes mundiais também acompanharam as suas seleções em múltiplos jogos durante competições internacionais, sendo comum que chefes de governo e de Estado apoiem as suas equipas.
Além disso, a crítica de Ventura ao contexto dos incêndios é descontextualizada. No período em questão, o Governo já tinha ativado mecanismos de resposta e o primeiro-ministro manteve-se em contacto permanente com as autoridades, tendo encurtado a sua estadia para regressar mais cedo a Portugal. Não há registo de que a presença de Montenegro no estádio tenha prejudicado a tomada de decisões ou a coordenação das operações de combate aos fogos.
Ao analisar dados de líderes de outros países, constata-se que, por exemplo, o presidente francês Emmanuel Macron assistiu a vários jogos da França em mundiais anteriores, e o presidente do Senegal também esteve presente em mais do que uma partida da sua seleção. Portanto, a declaração de André Ventura é classificada como falsa: Montenegro não foi o único primeiro-ministro a ver três jogos da sua seleção no Mundial, e a sua presença não comprometeu a gestão da situação de alerta em Portugal.