No 8º Colóquio Hortofrutícola organizado pela Lusomorango, em Odemira, o professor da Universidade Católica, Miguel Morgado, lançou uma provocação: por que razão a palavra resiliência se tornou um lugar comum na Europa, enquanto termos como crescimento e desenvolvimento parecem ter caído em desuso?

Miguel Morgado, que também é comentador, questionou os motivos pelos quais os europeus se tornaram tão adeptos da palavra resiliência, dando como exemplo o próprio Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), onde um dos ‘R’ é dedicado precisamente à resiliência. “A ideia dos fundos europeus do PRR era reconstruir, mas não há ambição, porque o objetivo passa apenas por resistir e isso, por si, não é saudável”, afirmou.

O docente desafiou os presentes a refletir sobre a falta de ambição que leva a focar-se apenas na resiliência, em detrimento do crescimento e desenvolvimento. Segundo ele, a visão predominante na Europa contrasta com a dos Estados Unidos e da China, que “lideram a revolução tecnológica” e têm uma “visão do mundo completamente diferente”.

Para Miguel Morgado, existe na Europa uma “auto-inferiorização” e a sensação de que “o mundo inteiro conspira contra nós”, o que está relacionado com “o declínio da Europa face ao resto do mundo”. Ele recordou que os anos 90 foram o “último momento de grande otimismo europeu”, e que Portugal “foi contagiado por esse otimismo” até que “uma sensação de fatalismo se abateu sobre o país”.

Como sair deste ciclo? Para o professor, o segredo está em “nos remobilizarmos, irmos ao terapeuta”, e o terapeuta é “a transformação da cultura pública”. Ele citou a união de mercados de capitais, liderada por Maria Luís Albuquerque, como um exemplo de mudança necessária na Europa.