A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) afirmou este sábado que o processo de classificação dos exames nacionais está “inevitavelmente comprometido”, destacando que os funcionários das escolas não são obrigados a trabalhar à noite e ao fim de semana.
Em comunicado, a organização criticou as declarações do ministro da Educação, Fernando Alexandre, considerando que “constituem um caso de estudo”, já que “aos simpáticos louvores e pedidos de desculpa aos professores pelo trabalho feito, segue-se a exigência de trabalho missionário a quem trabalha nas escolas e tem tarefas na publicação de resultados”.
Segundo a Fenprof, “nenhum trabalhador das escolas está obrigado, a não ser que seja expressamente convocado e nos termos legalmente previstos, a trabalhar à noite e ao fim de semana”.
Acusando o ministro de “transformar um processo nacional de exames, que deveria transmitir confiança e rigor, num exemplo de improvisação, desorganização e desconfiança”, a Fenprof destacou que “as notas dos exames do secundário lá acabaram por ser publicadas, apesar de haver milhares em situação ‘suspensa’”.
No entanto, a federação salientou que “tal só foi possível graças ao brio profissional, ao sentido de responsabilidade, à capacidade de sacrifício e à abnegação de milhares de classificadores, que, apesar de destratados e desrespeitados pela tutela, o conseguiram garantir”.
Para a Fenprof, “a publicação, que teve como único objetivo o cumprimento de calendário, veio confirmar os avisos e receios de muitos: havia erros graves que não garantiam a fiabilidade e a confiança do processo, e as classificações nunca deveriam ter sido publicadas naquelas condições”.
A entidade também apontou que “o enorme número de notas suspensas coloca em causa a equidade”, frustrando as “legítimas expectativas dos alunos e das suas famílias”.
Neste contexto, a Fenprof esperava que o ministro assumisse “a plena e inequívoca assunção de responsabilidades e a consequente procura de soluções para o problema”, mas Fernando Alexandre “preferiu distribuir culpas”, criticou.
“Primeiro, os professores, acusados de resistirem à mudança. Depois, o Júri Nacional de Exames, por, alegadamente, fornecer informações erradas”, disse, apontando que foram depois culpados novamente os professores, “por não estarem disponíveis para classificar, quando, afinal, havia centenas de classificadores disponíveis, que apenas não conseguiram evitar os atrasos por não receberem os itens na plataforma”.
Por fim, “nem os diretores escaparam, tratados como se bastasse um telefonema para os responsabilizar por resolver problemas criados pela própria tutela”.
A Fenprof questionou ainda “os milhões de euros anunciados para resolver a falta de professores e o pagamento das horas extraordinárias”.
Para os professores, tendo em conta as milhares de notas suspensas, “confirma-se o que mais se temia – o processo está inevitavelmente comprometido, faltando ainda conhecer a verdadeira dimensão dos problemas e suas consequências”.
“Avançar para a segunda fase como se nada de errado tivesse ocorrido na primeira não é solução”, referiu, defendendo que “situações excecionais obrigam a soluções excecionais”.
O ministro da Educação disse esta sexta-feira que iria responsabilizar os diretores se as notas dos exames nacionais do ensino secundário não fossem divulgadas nesse dia devido ao encerramento dos estabelecimentos de ensino. Pela primeira vez este ano, os exames foram corrigidos em formato digital, mas o processo registou falhas técnicas, obrigando o Ministério da Educação a adiar os prazos.