Dos 140 novos unicórnios, criados em 2026, um quarto (ou 25%) são do setor da inteligência artificial (IA), de acordo com os dados da plataforma online BestBrokers, publicados num relatório sobre o setor de HealthTech (tecnologia ligada à saúde).
Unicórnios são empresas não cotadas em bolsa com uma avaliação superior a mil milhões de dólares (870 milhões de euros). 14 unicórnios vieram do setor de HealthTech. A mais recente foi a sueca Neko Health que conseguiu angariar, na mais recente ronda de financiamento, 700 milhões de dólares (612 milhões de euros), fazendo subir a sua avaliação para quase sete mil milhões de dólares (6,1 mil milhões de euros).
“Juntas, estas 14 empresas acrescentaram 22 mil milhões de dólares (19,2 mil milhões de euros) ao setor em pouco mais de seis meses, fazendo da HealthTech o segundo maior produtor de novos unicórnios este ano, juntamente com a Robótica, e superando as Fintech tanto em número de novas startups bilionárias como em valor”, refere a BestBrokers.
Estes foram os setores que mais unicórnios produziram em 2026: Inteligência Artificial – 36 startups avaliadas em 73,5 mil milhões de dólares; Robótica – 14 startups avaliadas em 23 mil milhões de dólares; HealthTech – 14 startups avaliadas em 22 mil milhões de dólares; FinTech – 11 startups avaliadas em 15,8 mil milhões de dólares; Tecnologia de Defesa e Segurança – 11 startups avaliadas em 16,6 mil milhões de dólares; Software Empresarial – 10 startups avaliadas em 11,9 mil milhões de dólares.
No setor de HealthTech destacam-se as seguintes não cotadas: MiRus – avaliado em 4,4 mil milhões de dólares; Garner – avaliado em 2,7 mil milhões de dólares; Pomelo Care – avaliado em 1,7 mil milhões de dólares; Vi Labs – avaliado em 1,6 mil milhões de dólares; Eight Sleep – avaliado em 1,5 mil milhões de dólares; Science (Dispositivos Terapêuticos) – avaliado em 1,5 mil milhões de dólares; Talkiatry – avaliado em 1,4 mil milhões de dólares; Assort Health – avaliado em 1,2 mil milhões de dólares.
Os Estados Unidos foram responsáveis por 13 das 14 startups que atingiram o estatuto de unicórnio no setor das HealthTech. Só a empresa suíça de tecnologia dentária vVardis (avaliada em mil milhões de dólares) não é norte-americana.
“A MiRus, empresa americana de desenvolvimento de implantes ortopédicos e cardiovasculares, tornou-se o unicórnio mais valioso de HealthTech de 2026 após a Boston Scientific ter investido 1,5 mil milhões de dólares por uma participação de aproximadamente 34%, avaliando a empresa em cerca de 4,4 mil milhões de dólares”, salienta a BestBrokers.
O relatório refere também que a inteligência artificial está a emergir como uma “característica definidora” entre as empresas de tecnologia de saúde, com quase metade dos novos unicórnios deste ano a incorporarem a IA nos seus produtos e serviços. “Em vez de se concentrarem apenas nos diagnósticos, estas empresas estão a utilizar a IA em todo o ecossistema de cuidados de saúde, desde a plataforma de navegação de saúde com IA da Garner e os agentes de agendamento de pacientes da Assort Health até à tecnologia de descoberta de medicamentos orientada por IA da Vi Labs”, refere.
“A área da saúde especializada também atraiu investimentos significativos, com startups direcionadas para áreas específicas de cuidados ao paciente a atingirem avaliações bilionárias. A Pomelo Care alcançou uma avaliação de 1,7 mil milhões de dólares através da sua plataforma virtual de cuidados maternos, seguida pela Eight Sleep, com 1,5 mil milhões de dólares, que combina hardware ligado com monitorização do sono e tecnologia de recuperação. A Talkiatry alcançou uma avaliação de 1,4 mil milhões de dólares com a sua plataforma nacional de saúde mental, enquanto a Midi Health e a Tandem, ambas avaliadas em mil milhões de dólares, se concentram na menopausa e na saúde da mulher na meia-idade e na tecnologia de gestão da diabetes, respetivamente”, salienta a BestBrokers.
O analista de dados da BestBrokers.com, Alan Golberg, referiu que a IA “está a mudar” a economia das startups de saúde, tal como a tecnologia “transformou” praticamente todos os setores da indústria tecnológica nos últimos anos.
“Em vez de simplesmente transferir os serviços de saúde existentes para o ambiente online, a próxima geração de empresas de HealthTech está a utilizar a IA para automatizar processos que exigem muita mão-de-obra, melhorar o acesso dos doentes e construir infraestruturas de saúde escaláveis. Ao reduzir os custos operacionais e acelerar áreas como a descoberta de medicamentos e o desenvolvimento de tratamentos, a IA está a tornar as startups de saúde oportunidades de investimento mais atrativas e a ajudar a impulsionar a criação de uma nova vaga de empresas bilionárias”, disse Alan Goldberg.